O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, divulgou na noite desta terça-feira (29) que a mineradora irá descomissionar 10 barragens da empresa, do modelo de Mariana e Brumadinho, cenários de tragédias em Minas Gerais. Para esse processo de descomissionamento, o executivo afirma que as atividades da Vale serão temporariamente paralisadas nessas regiões das barragens (todas em Minas Gerais).
As paralisações temporárias, que podem variar de um a três anos, vão impactar diretamente na produção da Vale, que vai deixar de produzir 40 milhões de toneladas/ano de minério, além de 11 milhões de toneladas/ano de pelotas. Essas interrupções nas atividades devem afetar a economia do Espírito Santo, uma vez que grande parte da produção em Minas Gerais é escoada pelo Complexo de Tubarão, na capital capixaba. A Vale é responsável por 15% do PIB do ES. Ainda não há estimativa de impactos da decisão anunciada pela Vale nas operações no Estado.
Schvartsman afirmou que descomissionar significa preparar a barragem para que ela seja integrada à natureza. "A decisão da companhia é que não podemos mais conviver com esse tipo de barragem. Tomamos com a decisão de acabar com todas as barragens a montante", disse o executivo em Brasília.
Segundo Schvartsman, as 10 barragens não estão em uso, e o projeto de descomissionamento foi realizado entre três a quatro dias após a tragédia em Brumadinho, que já contabiliza 84 mortes.
O executivo fala que o projeto para extinguir as 10 barragens será entregue aos órgãos competentes para licenciamento em até 45 dias. Tendo a autorização, a mineradora seguirá com o plano de extinção das barragens citadas, com o custo previsto de R$ 5 bilhões.
Schvartsman afirma que é um plano drástico, mas necessário. "“É a resposta cabal e à altura da enorme tragédia que tivemos em Brumadinho". Reforçou ainda que os laudos apontam que estas barragens não têm risco de rompimento, mas que é uma decisão da mineradora de acabar com o modelo de barragem que causou as tragédias de Mariana e Brumadinho.
Ainda de acordo com o executivo, "não teve qualquer tipo de pressão” por parte do governo federal para intervir na direção da Vale. De acordo com ele, a reunião desta terça-feira (29) com os ministros Costa e Lima e Salles foi “absolutamente técnica”.