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Caso Master

Vorcaro tinha grupo de WhatsApp com servidores do BC, pagava propina e viagem à Disney, diz PF

Pagamentos aconteceram por meio de contratos de consultoria simulados; Vorcaro pedia orientações a ex-diretor sobre como se comportar diante de pedidos da autoridade monetária
Agência FolhaPress

Publicado em 

04 mar 2026 às 10:39

Publicado em 04 de Março de 2026 às 10:39

BRASÍLIA - O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha um grupo em aplicativo de mensagens com o ex-diretor de Fiscalização do BC (Banco Central) Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana.
Segundo a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, ambos atuavam como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao BC e recebiam propina por isso. Entre os pagamentos, a decisão menciona uma viagem a Disney feita por Souza cujo guia foi pago pelo dono do Master
O documento cita também a simulação de um contrato de consultoria com a empresa Varejo Consultoria Empresarial para justificar pagamentos para Santana.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master Crédito: Reprodução/Redes sociais
De acordo com a decisão, há diversas comunicações entre Vorcaro e Souza nas quais o banqueiro "solicitava orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis perante autoridades regulatórias".
Nessas conversas, o ex-diretor "chega a dar sugestões a Daniel Vorcaro sobre como deve se comportar em reunião com o presidente do BC". Na época, a autoridade monetária era presidida por Roberto Campos Neto.
O mesmo acontecia com o Belline Santana. Assim, segundo a decisão de Mendonça, os dois articulavam dentro do BC os interesses do Banco Master.
Isso acontecia a partir da influência na análise de processos administratibos, fornecimento de informações sobre procedimentos em curso e a indicação de estratégias para contornar dificuldades regulatórias enfrentadas pelo Master.
Em algumas situações, aponta o documento, Vorcaro recebia alertas previos sobre movimentações financeiras que o BC tinha identificado em seus sistemas de monitoramento, o que o permitia adotar medidas para mitigar os questionamentos futuros.
Para facilitar a comunicação entre Vorcaro e os dois servidores do BC, foi criado um grupo de mensagens. Nele, aponta o relatório de Mendonça, eram compartilhados documentos e informações.
No caso do ex-diretor Paulo Sérgio de Souza, aponta Mendonça, há indícios de que ele intermediava ou auxiliava o Banco Master em operaçõeas societárias e financeiras, chegando a indicar potenciais interessados na compra de uma instituição financeira vinculada ao grupo de Daniel Vorcaro. Ele também teria atuado como interlocutor informal entre o banqueiro e agentes do mercado.
Já em relação a Belline Santana, o relatório de Mendonça aponta contatos telefônicos entre ambos em diversas ocasiões, o que indicaria a intenção de evitar registros por escrito, e encontros fora das dependências do BC. Nesses encontros, era discutido como o Banco Master deveria se portar diante das cobranças da autoridade monetária.

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