O Banestes é um dos mais valiosos ativos do Estado, tanto que não deixa de chamar a atenção do mercado. É importante que se cuide bem desse patrimônio capixaba. Por isso, os acontecimentos desta terça-feira (29) causam apreensão. Menos de 24 horas após ter sido empossado, o novo presidente do banco, Vasco Cunha Gonçalves, foi alvo da Operação Circus Maximus por supostas fraudes do Banco Regional de Brasília, no qual ocupou também a presidência. Ele foi preso nesta terça em Vitória.
O governador Renato Casagrande foi ágil ao decidir designar, ainda pela manhã, um interino até que se tenha mais esclarecimentos. A manutenção de Vasco no cargo fica de fato inviabilizada, por ter sido colocado em suspeição ao se tornar foco das investigações da Polícia Federal. A gestão de uma instituição financeira exige não só um currículo irretocável, como conduta ilibada. O perfil técnico do novo presidente foi celebrado, passava a mensagem certa ao mercado, de isenção política. Mas, a esta altura, o mais importante é dissociar a imagem do Banestes e a do executivo, até que se confirmem ou não suas responsabilidades.
O Banestes é uma dos poucos bancos estaduais que restam no país. Nos anos 2000, após uma sequência de administrações desastrosas (do ponto de vista do negócio e também ético), o banco passou por uma verdadeira reconstrução. Não há espaço para retrocessos. Tem potencial para crescer ainda mais, nas mãos certas.