Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Editorial
  • Abandono vacinal no Brasil é mais uma ameaça à superação da crise
Opinião da Gazeta

Abandono vacinal no Brasil é mais uma ameaça à superação da crise

Além do descuido pessoal em não tomar a segunda dose, outras razões como escassez de vacinas, problemas logísticos, dificuldades de agendamento e negacionismo alimentam esse cenário

Publicado em 19 de Abril de 2021 às 09:47

Públicado em 

19 abr 2021 às 09:47

Colunista

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em coletiva sobre vacinação
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em coletiva sobre vacinação Crédito: Tony Winston/MS
Como a tragédia sempre vem acompanhada, surgem agora os primeiros dados concretos de algo que já se receava desde janeiro, quando o Brasil deu início à imunização contra a Covid-19. Cerca de 1,5 milhão de brasileiros não compareceram aos postos para tomar a segunda dose, segundo o Ministério da Saúde. Além do risco individual, o abandono vacinal representa uma enorme ameaça coletiva, ao criar um ambiente propício para o surgimento de novas variantes da doença, resistentes às vacinas em aplicação.
Com pouco mais de 12% da população vacinada, o número é alarmante. Embora o descuido pessoal contribua, as razões por trás do grande atraso não recaem apenas sobre a negligência dos cidadãos. Escassez de doses, problemas logísticos, dificuldades de agendamento observadas de norte a sul do país, além de uma boa dose de negacionismo, alimentam esse cenário. Em algumas localidades, a taxa de pessoas que não receberam a imunização completa, vencido o intervalo entre as agulhadas indicado pelas farmacêuticas, passa de assombrosos 30%. Com contágio em alta, vacinação a conta-gotas e relaxamento de medidas restritivas em vários Estados, está dada a receita do perigo.
No Espírito Santo, a situação não é tão crítica, mas não deixa de afligir. De acordo com dados do SUS tabulados pela “Folha de S. Paulo”, o Estado está no terceiro lugar do ranking nacional com melhor índice de retorno, atrás de Alagoas e Rio Grande do Norte. Mais de 92% dos vacinados com a primeira dose receberam dentro do tempo previsto a segunda aplicação. Ou seja, quase 8% dos que receberam a primeira dose não retornaram para a segunda. O alerta de epidemiologistas é de que qualquer abandono, mesmo baixo, é preocupante.
O principal caminho para reverter a situação é o mesmo para acelerar o ritmo da imunização no Brasil: garantir mais doses. O governo federal tenta correr atrás do prejuízo causado pela incompetência com que geriu o tema no ano passado, ao desprezar farmacêuticas e protelar acordos, deixando o país no fim da fila em meio a uma disputa global. O caso emblemático é o da Pfizer, que havia oferecido 70 milhões de doses em meados de 2020, mas foi ignorada. Retomada tardiamente, a negociação com a fabricante foi capaz de obter o primeiro lote apenas para junho. Para as vacinas produzidas em território nacional, o obstáculo é a aquisição da matéria-prima de países detentores da tecnologia.
Nas cidades, o desafio é com a dinâmica de distribuição e de agendamento. Os municípios brasileiros ainda levam, em média, 17 dias para aplicar as vacinas já entregues aos Estados pelo governo federal. Esse prazo dilatado acaba freando o ritmo da imunização no país. Também são patentes as dificuldades que moradores de algumas localidades têm enfrentado para marcar a aplicação, em sistemas digitais ou presenciais, às vezes com demora de semanas. O atraso, portanto, pode ser mera questão logística. Para piorar, algumas prefeituras nem sequer têm o controle de quantas pessoas aptas não tomaram a segunda dose, o que torna impossível as buscas ativas dos que realmente desistiram de tomar a segunda dose.
Por fim, há ainda a necessidade de engajamento de todas as esferas do poder em conscientização. Para algumas administrações, basta investimento. Em outros casos, como no governo federal, é preciso uma profunda mudança de postura. O negacionismo encampado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ateou gasolina na fogueira dos movimentos antivacina, que têm sabotado a cobertura vacinal brasileira desde 2018. De lá para cá, o Brasil nunca mais conseguiu cumprir as metas do calendário infantil. Sem vacinação em massa, o Brasil corre sério risco nesta pandemia de estacionar em um longo e agonizante platô, com efeitos deletérios sobre saúde, economia, igualdade social, educação. A tragédia não anda só.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
As teorias da conspiração sobre 'cientistas desaparecidos' nos EUA que deixam famílias perplexas
Ppresidente Luiz Inácio Lula da Silva
Lula tira excesso de pele na cabeça e trata tendinite em hospital nesta sexta (24)
PF cumpriu mandados de prisão e de busca durante a Operação Anjo Mal, em Conceição da Barra
PF prende suspeito de compartilhar material de abuso infantil no Norte do ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados