Em um curtíssimo intervalo, com a percepção de que houve um aumento na realização de abordagens da Lei Seca em Vitória nas última semanas, duas notícias mostraram como uma blitz no trânsito tem o poder de incomodar até quem não tem o costume de ser incomodado.
Na primeira delas, um advogado em um Porsche fugiu da fiscalização na Praia do Canto, deixando como rastro a acusação de tentar atropelar um policial militar. Durante a abordagem, policiais constataram que o condutor estava com "alteração da capacidade psicomotora". Para escapar da prisão, teve de desembolsar R$ 130 mil de fiança.
Na segunda notícia, um deputado estadual foi parado em uma blitz no mesmo bairro, com um carro oficial da Assembleia Legislativa, e se recusou a fazer o teste do bafômetro, o que levou a uma multa de R$ 2,9 mil. De acordo com o auto de infração, ele apresentava "odor etilítico".
Dois casos nos quais o poder econômico e o poder político foram tratados sem privilégios. Mesmo que nas abordagens nas ruas nem todos os motoristas sejam parados, a mera existência de uma blitz já é melhor do que nenhuma.
A Lei Seca está prestes a completar 15 anos, no próximo mês. Neste espaço no qual o jornal se posiciona, tem sido recorrente a reivindicação por uma maior presença policial no trânsito, e isso de fato tem ocorrido. Na última sexta-feira (5), uma fiscalização teve mais de 500 veículos abordados. Desse total, 104 motoristas se recusaram a realizar o bafômetro, foram multados e tiveram o direito de dirigir suspenso. Um deles foi autuado em flagrante por dirigir embriagado.
Estavam juntos em dois pontos da Praia do Canto e um de Jardim da Penha o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran|ES), o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, a Guarda Municipal de Vitória e a Polícia Civil. É essa mobilização que precisa continuar a ser vista nas cidades, de forma ostensiva. Não apenas durante o Maio Amarelo.
É importante que as blitze tenham voltado a fazer parte do cenário, um movimento que foi fundamental para transformar a cultura da direção. Beber e dirigir é um crime que precisa de vigilância constante para ser combatido. Sem temer a fiscalização, lamentavelmente os motoristas se sentem encorajados ao consumo de álcool.
Parar na blitz é um incômodo necessário para quem não tem nada a temer. Já para aqueles que insistem em beber e dirigir, parar na blitz é a garantia de que eles serão responsabilizados por esse ato, evitando acidentes envolvendo pessoas inocentes. Quanto mais fiscalização, melhor.