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Opinião da Gazeta

Bom senso é essencial para evitar nova piora na pandemia no ES

Grande Vitória tem aumento de 30% nas mortes, internações também têm crescimento no Estado, mapa de risco volta a ter cidades em risco moderado: cuidados ainda não podem ser interrompidos

Publicado em 22 de Setembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

22 set 2021 às 02:00

Colunista

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Uso de máscara continua necessário, mesmo entre vacinados Crédito: Prostooleh/Freepik
Enquanto o presidente da República repete para o mundo, em plena Assembleia Geral da ONU, a panaceia do tratamento precoce, assunto que já deveria ter sido dado por encerrado, sobretudo por haver uma CPI em curso para investigar possíveis erros de gestão, o Brasil segue com suas urgências, a própria pandemia entre elas.
Qualquer pessoa neste planeta almeja que esse também seja um assunto com um ponto final, que encerre a tragédia sanitária que já matou mais de 4,5 milhões de pessoas ao redor do globo, só para dar a dimensão planetária dessa crise. Mas ainda não chegamos lá.
No "pense globalmente, aja localmente" que tem caracterizado as ações nesta pandemia, é preciso se voltar para o Espírito Santo e encarar os avisos do secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, em sua última atualização sobre o status da pandemia.
O primeiro alerta é para o aumento de 30% no número de mortes na Grande Vitória provocadas pela Covid-19 na primeira quinzena de setembro, na comparação com os 15 dias anteriores. As estatísticas ainda precisam ser refinadas, já que a confirmação do óbito por Covid-19 pode se dar até 15 dias após o falecimento do paciente, mas já é um indicativo de mudança de tendência que exige cuidados.
Outro ponto de atenção é o fato de a queda nas hospitalizações em todo o Estado ter sido interrompida durante a segunda quinzena de agosto deste ano, o que já dura cerca de um mês. Há aumento não somente na rede pública, mas também em hospitais privados. No domingo (19), o Estado tinha 394 pessoas internadas na rede pública, o maior número desde o dia 30 de agosto, sendo 184 nas enfermarias, quantidade que também é a maior das últimas três semanas, e 210 em leitos de UTI, número que voltou a ficar acima de 200 há quase uma semana.
As autoridades de saúde pública justificam o cenário por haver ainda um percentual considerável da população sem o esquema vacinal completo, e por essa razão é tão importante que a aplicação da dose de reforço no público mais vulnerável já esteja sendo encaminhada em vários municípios.
Mas também é preciso ressaltar que muitas pessoas estão mais abertas a comportamentos de risco nos últimos meses, justamente por conta de uma melhora sentida na pandemia. Usar máscara e evitar aglomerações ainda é fundamental, mesmo para os vacinados.
O secretário informou também o aumento da Delta entre as amostras enviadas pelo Lacen (Laboratório Central do Espírito Santo) à Fiocruz: a variante foi identificada em 70% das 133 amostras do Estado analisadas, colhidas entre julho e agosto. É mais uma sinalização de que é preciso manter os cuidados, já que a variante é mais contagiosa. E, a esta altura, já se sabe que a prevenção não exige mais o mesmo isolamento de um ano e meio atrás: o que se pede em setembro de 2021 é bom senso.
Importante também que o governo estadual continue ampliando os pontos de testagem, para garantir um controle maior dos infectados e frear a circulação do vírus. Desde esta terça-feira (20), a Rodoviária de Vitória, localizada na Ilha do Príncipe, é o 17º local no Estado a realizar testes RT-PCR, aberta também ao público externo.
Não é somente o Espírito Santo, o mundo ainda está cauteloso quanto à progressão da pandemia. Não é por pouco que Nova York, que recebe os líderes mundiais para a Assembleia Geral da ONU, exige passaporte de vacina em ambientes fechados, a crise sanitária não acabou.
É preciso estar atento aos sinais, com contingência, não alarmismo. O mapa de risco estadual, após uma semana totalmente verde, voltou a ter três municípios em amarelo, o risco moderado. Nada que mude a dinâmica da pandemia no Estado, mas sem ignorar o fato de que não existe ainda normalidade.

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