Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Editorial
  • Defensor da retomada, Bolsonaro deve liderar plano contra recessão
Opinião da Gazeta

Defensor da retomada, Bolsonaro deve liderar plano contra recessão

Queda de 1,5% do PIB brasileiro no primeiro trimestre é a ponta do iceberg. Em vez de dispersar energia em bravatas, presidente precisa assumir o leme das ações que competem ao governo federal se não quiser que o país afunde como o Titanic

Publicado em 02 de Junho de 2020 às 06:00

Públicado em 

02 jun 2020 às 06:00

Colunista

Presidente da República, Jair Bolsonaro
Presidente da República, Jair Bolsonaro Crédito: Marcos Correa
queda de 1,5% do PIB brasileiro no primeiro trimestre divulgada na última semana é a ponta do iceberg. A cada revisão de indicadores, ficam mais nítidas tanto a profundidade da crise econômica que o Brasil atravessará em decorrência da pandemia do novo coronavírus, quanto a necessidade de um plano consistente para retirar o país da depressão que se anuncia. Árduo defensor da retomada, o presidente Jair Bolsonaro tem uma missão hercúlea à frente. Em vez de dispersar energia em bravatas com governadores e prefeitos, precisa assumir o leme das ações que competem ao governo federal se não quiser que o país afunde como o Titanic.
O recuo do PIB entre janeiro e março já é ruim, mas não é nada se comparado às projeções para o segundo semestre, quando o avanço da Covid-19 impôs a paralisação das atividades. Analistas situam o tombo na casa dos dois dígitos, chegando a 15%. Para o ano, por enquanto, a previsão é de um encolhimento de 6,25%. Pela primeira vez na série estatística, que vem desde 1901, o Brasil romperá a casa dos 5% de retração.
Se o Brasil já lutava para sair do atoleiro em que se enfiou no biênio 2015-2016, no cenário pós-pandemia a deterioração do ambiente de negócios, dos indicadores de renda e de desigualdade social será ainda mais profunda e exigirá ações mais enérgicas e orquestradas, para equalizar as discrepâncias regionais. Se cabe debate sobre qual deve ser exatamente o papel que o Estado deve desempenhar, não há dúvidas sobre o protagonismo que as políticas públicas terão na retomada. E é sobre a elaboração desse plano que o Planalto deveria estar debruçado.
Até o momento, o governo federal tem negligenciado sua tarefa. No curto prazo, as medidas para salvaguardar negócios e renda mostraram-se acertadas na teoria, mas precárias na prática. O auxílio emergencial ainda não chegou às mãos de milhões de brasileiros, enquanto micro, pequenas e médias empresas sofrem com a burocracia para ter acesso a linhas de crédito. Sem garantias do Executivo para destravar financiamentos, a capacidade de recuperação do país ficará seriamente comprometida, já que esses negócios concentram a maior parte dos postos de trabalho. Quase cinco milhões de vagas sumiram entre fevereiro e abril e esse número continua subindo.
No médio e longo prazos, há apenas esboços de ações. E elas são essenciais, já que as previsões são de que, passada a pior fase, o Brasil terá uma curva sutil de crescimento, sem conseguir retornar ao cenário pré-pandemia antes de 2022. Com os gastos públicos inchados para mitigar os impactos mais imediatos da crise, resta óbvio que o país precisa se esforçar para atrair investimentos privados.
O Ministério de Infraestrutura acenou com a manutenção do calendário de desestatizações, que poderia atrair cerca de R$ 150 bilhões. Setores como transporte, saneamento e energia certamente se beneficiariam com concessões e privatizações, gerando empregos e desenvolvimento. Mas talvez essa estratégia resuma como nenhuma outra a amplitude da tarefa que o Executivo nacional tem pela frente e que não está cumprindo. Pelo contrário, vem sabotando.
Não basta ter um bom plano – e as parceria público-privadas são. É preciso também promover o diálogo com o Congresso, para a aprovação dos projetos, e transmitir segurança ao capital estrangeiro, para não derrubar o preço dos ativos. A deterioração do ambiente político, engendrada pelo próprio presidente em seus ataques constantes a parlamentares, ao STF e aos entes subnacionais, tem atrapalhado enormemente, quando não impedido, a negociação de uma agenda coesa e substancial para salvar o país dos seus piores dias.
O mundo inteiro está sendo afetado pela onda de choque do coronavírus. Logo, abrir as portas das fábricas e das lojas, como quer o presidente, não salvará milagrosamente o Brasil da crise. O país sofrerá com a queda na demanda externa, que terá impactos nas exportações, e com a queda brusca no preço do barril de petróleo, apenas para citar alguns fatores cruciais que estão sendo deixados de fora da equação. Há obstáculos internos e externos gigantescos.
Na última das suas lives em uma rede social, na quinta-feira (25), como em outras ocasiões, Bolsonaro afirmou que “a fome também mata” e pediu “que os prefeitos aí ajam de forma racional”. Pois bem. A imperícia na coordenação de planos nacionais de enfrentamento à pandemia, a imprudência de dilapidar capital político essencial à aprovação de medidas emergenciais e a negligência de dinamitar o poder de atração do país a investimentos que poderiam ajudar a guiar o país para fora da crise também matam. Em vez de apontar o dedo, o presidente precisa silenciar conflitos e ouvir a voz da razão.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Desnível na altura do km 15 em comparação á uma caneta
Contorno do Mestre Álvaro: desníveis acendem alerta para segurança
Cadela é resgatado após três dias preso em buraco na zona rural de Venda Nova
Vídeo mostra resgate de cadela após três dias presa em mata de Venda Nova
Imagem de destaque
CBN Vitória ao vivo: entenda o que é o Estatuto dos Direitos do Paciente

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados