Conversar na praça do bairro, andar de bicicleta, ir ao supermercado. Mais uma vez, o Espírito Santo é abalado por um crime bárbaro, que escancara como a violência tem se espraiado pelas tarefas mais cotidianas. No último sábado, a estudante Ketelin Costa Sampaio, de apenas 16 anos, foi assassinada durante um assalto a um comércio do bairro Jardim Juara, na Serra.
A adolescente levou um tiro na nuca, sem chance de resgate, ao ficar de costas para os criminosos para que um dos clientes a confortasse naquele momento de pânico. A morte de Ketelin cobre o Estado de tristeza e indignação, pela banalidade com que os criminosos ceifaram uma vida.
Nenhuma morte é justificável. Mas, infelizmente, têm sido frequentes os casos em que pessoas são assassinadas sem nenhuma motivação. São eventos que provam que não há “lugar errado na hora errada”, e que sair às ruas tem se transformado em uma roleta-russa.
Ketelin se junta a episódios trágicos recentes, como o do ciclista Carlos Renato de Souza, de 45 anos, morto em um assalto nas Cinco Pontes, que liga Vitória a Vila Velha, e do tiroteio que matou três pessoas no bairro Itanguá, em Cariacica, quando bandidos desceram de um carro atirando a esmo.
A resposta do Estado deve ser imediata e eficiente, mas não apenas por meio das forças de segurança. Sem estratégias eficazes de combate à violência urbana, de que assaltos são apenas uma das faces, não há solução possível. A polícia não é onipresente, por isso o Estado não pode ser ausente quando se trata de oferecer cidadania, que começa com educação e geração de renda e abarca uma série de garantias constitucionais até uma cultura de paz.