O feriadão da Independência foi marcado pela violência no trânsito no Espírito Santo, com o registro de pelo menos sete mortes nas estradas. Quando se limita o alcance às rodovias federais que cortam o Estado, foram cinco mortes entre a quinta-feira (7) e o domingo (10). No mesmo período, tanto em 2022 quanto em 2021, foi registrado um óbito, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal.
É simplesmente o maior número de mortes em estradas federais em um feriadão de Independência desta década.
Esse crescimento expressivo serve de alerta para a necessidade de modernização das BRs 101 e 262 (dos cinco acidentes, quatro foram registrados na primeira e um na segunda rodovia). Esse é um ponto incontestável, a melhoria da infraestrutura viária, com as aguardadas duplicações, vai aumentar a segurança nas estradas. Mas só isso não resolve o problema.
O trânsito é o que as pessoas fazem dele, e as más decisões ao volante também potencializam os acidentes. Alta velocidade, ultrapassagens arriscadas e consumo de álcool são algumas dessas imprudências que podem custar a vida tanto de condutores quanto de terceiros.
Em 2023, neste feriadão, houve aumento expressivo (62% em relação ao mesmo período de 2022) no número de infrações nas rodovias federais. Foram 1542 motoristas flagrados (contra 949 no ano passado), com destaque para excesso de velocidade (959) e ultrapassagem proibida (162).
O Código de Trânsito existe para coibir comportamentos criminosos ao volante, e a lei precisa ser aplicada com rigor, mas quem está no trânsito deve ter sempre a consciência do peso dos próprios atos e do impacto deles na humanização do trânsito.
A brutalidade testemunhada nas estradas capixabas no feriadão não é tolerável, a morte não pode continuar sendo uma opção, sobretudo quando as estatísticas apontam que 90% dos acidentes de trânsito são evitáveis. A violência nas vias precisa causar a mesma indignação que os assassinatos, com redução drástica estando no alvo de políticas públicas que promovam mudanças culturais no modo de vivenciar o trânsito por pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas.
O Brasil é o quarto país com mais acidentes de trânsito, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), precisamos de uma transformação civilizatória urgente.