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Opinião da Gazeta

Interdição de agência do INSS em Cachoeiro é descaso duplo com o contribuinte

Há a deterioração do patrimônio público na falta de conservação do prédio e a desconsideração com os segurados que precisam de atendimento

Publicado em 31 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

31 mar 2022 às 02:00

Colunista

INSS
Fachada do prédio do INSS, em Cachoeiro Crédito: João Henrique Castro
A interdição há mais de uma semana da agência do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Cachoeiro de Itapemirim é um daqueles típicos episódios brasileiros que servem para reforçar que o desrespeito com o contribuinte vem de todos os lados, não há como escapar. O descaso com a coisa pública está materializado na deterioração do prédio, com danos estruturais que provocaram a suspensão do atendimento pelo Corpo de Bombeiros, e na desconsideração com quem precisa dos serviços prestados.
É absurdo que um serviço tão relevante para a população, um espaço de atendimento a um público com tantas demandas e urgências, tenha uma infraestrutura tão precária em um município de médio porte como Cachoeiro, que acaba servindo de satélite para os vizinhos.
A decisão pelo fechamento do prédio, no último dia 18, foi tomada com base em laudos feitos pela Defesa Civil do município, do Estado e também do próprio Corpo de Bombeiros. Os danos eram tão graves que nem mesmo com a apresentação pelo INSS de documentos e o encaminhamento de soluções foi possível reverter a interdição, segundo o comandante do Corpo de Bombeiros no município. Impressiona saber que tenha continuado funcionando tanto tempo sob essas condições.
O INSS é o emblema máximo dos serviços de seguridade social no país, é uma marca federal que deveria ser resguardada com atendimento de qualidade ao público em um ambiente que garanta segurança física para os seus segurados. Chega a ser irônico que, para resolver questões ligadas à própria saúde, o contribuinte acabe se colocando em risco em um edifício com problemas estruturais. O mesmo vale para os servidores, trabalhando diariamente em condições insalubres.
Qualquer empresa privada na mesma situação seria razão de escândalo. Os órgãos de fiscalização prontamente já teriam cobrado uma solução célere para o problema. O público e o privado no Brasil são obviamente dois mundos distintos. Seria oportuna alguma reação do Ministério Público, em defesa dos interesses do povo.
Afinal, outro aspecto ainda mais dramático da suspensão do atendimento é o sofrimento da população que depende de perícias e outros atendimentos para conseguir ter acesso aos benefícios. Pessoas que, após meses de espera para uma consulta, terão de aguardar ainda mais para ter algum dinheiro no bolso. O Estado brasileiro, como diz a velha expressão, é pródigo em fazer hora com a cara dessas pessoas, que passaram anos de sua vida contribuindo com  o INSS e, quando precisam da contrapartida, dão com a cara na porta.
Na quinta-feira (24) da semana passada, a dona de casa Daiana Rianelli sentiu na pele essa desconsideração. Ela saiu cedo do município de Muqui, a 34 quilômetros de Cachoeiro, para acompanhar a mãe em uma perícia. Depois de três meses de espera, as duas tiveram que voltar para casa. 
“Saímos 6h50 de Muqui, e a resposta é que está interditado e não vai ter perícia esta semana. É frustrante, a gente gasta passagem. Podiam ter avisado”, disse Daiana, em entrevista ao repórter Gustavo Ribeiro, da TV Gazeta Sul. O tipo de comunicação que ela reclama não ter havido já deveria ser praxe no serviço público, opções baratas e eficientes não faltam hoje em dia. Mas o descaso sempre prevalece.
De acordo com informações do Bom Dia ES desta quarta-feira (30), o prédio ainda deve ficar interditado até o fim desta semana, ainda sem previsão de retomada dos serviços. Enquanto isso, os beneficiários seguem sem atendimento.  São os dois lados de uma mesma moeda, a falta de eficiência do Estado brasileiro que priva tantas pessoas de serviços públicos de qualidade. 

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