Seis meses após o flagrante de uma marquise caindo aos pedaços na Avenida Jerônimo Monteiro, no Centro de Vitória — problema que foi resolvido quase um mês depois com a demolição da estrutura —, uma equipe do ES1, da TV Gazeta, fez uma ronda pela região para registrar a situação dos prédios atualmente. Visualmente, a reportagem encontrou marquises com rachaduras, infiltrações e estrutura metálica corroída, o que torna a circulação pelas calçadas uma aventura arriscada.
A Prefeitura de Vitória informou que nos últimos dois anos notificou 600 imóveis com algum tipo de problema na estrutura somente no Centro de Vitória, um número expressivo, mas que não provoca surpresa em quem observa as edificações da região. Recentemente, um prédio centenário na Praça Costa Pereira foi demolido por apresentar risco estrutural. Descaracterizado ao longo dos anos, o imóvel não era tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nem identificado como de interesse de preservação.
Especificamente sobre as marquises, o secretário de Desenvolvimento da Cidade e Habitação de Vitória, Luciano Forrechi, afirmou em entrevista ao telejornal que não há nenhum caso de risco iminente no Centro de Vitória, apesar da precariedade em que se encontram as que foram exibidas pela TV Gazeta. E afirmou que a população, caso se sinta em risco, é que deve fazer a denúncia pelo 156.
A questão é que o que se testemunha nos prédios do Centro é um cenário de abandono, e as marquises parecem sempre uma ameaça. É um problema crônico na região. Nos arquivos do jornal A Gazeta, uma matéria publicada em 1982 informava que uma fiscalização da Prefeitura de Vitória havia encontrado "30 prédios em situação precária e 112 em estado apenas regular". Três lojas foram interditadas e multadas "em consequência das péssimas condições nas marquises dos imóveis".
E no histórico há também os desabamentos: em março de 2005, uma marquise despencou na calçada da Avenida Jerônimo Monteiro, durante a madrugada. Mais recentemente, em 2020, um vendedor ambulante ficou ferido com a queda da estrutura na Praça Oito.
Quem é capaz de avaliar o perigo dessas estruturas são os engenheiros e arquitetos, mas independentemente do risco iminente de desabamento, o que fica é a sensação de abandono. Neste espaço, as movimentações público-privadas que podem trazer benefícios para a região central de Vitória, como a reforma dos galpões do Porto de Vitória, são constantemente encaradas com otimismo. Mas uma transformação no aspecto das fachadas, trazendo não só segurança, mas bem-estar visual, é essencial no processo de revitalização.
Já há estímulo público para tanto, com a lei do retrofit, aprovada em Vitória no ano passado, que isenta do pagamento do IPTU proprietários que melhorarem fachadas de seus prédios. Imóveis tombados ou em fase de tombamento não podem passar pelo processo de retrofit, procedimento que pode tanto recuperar o prédio como ele era originalmente, como apenas manter a fachada e mudar a estrutura interna.
A Prefeitura de Vitória também está incentivando a criação de linhas de crédito para empresas que estejam montando suas sedes no Centro e assim estimular a ocupação da região. A contrapartida é a realização dessas reformas nos imóveis, seguindo a linha do retrofit. A legislação é ainda recente e, por isso, talvez ainda não tenha gerado um impacto visível nas edificações.
Da forma como se encontram atualmente, os prédios mais maltratados do Centro de Vitória, e são muito nessas condições, são repelentes: as pessoas evitam até mesmo passar na frente deles. O retrofit é um estímulo à revitalização que, infelizmente, ainda não modificou a paisagem. Espera-se que essa situação não demore muito a mudar.