Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Editorial
  • Máscara pode salvar vidas, mas continua sendo tratada como vilã
Opinião da Gazeta

Máscara pode salvar vidas, mas continua sendo tratada como vilã

No Espírito Santo, mais prefeituras estão prevendo multas para pessoas físicas que se negam a usá-la. Não se chegaria a esse ponto da punição individual se houvesse o cumprimento efetivo da norma, por livre e espontânea vontade

Publicado em 05 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

05 mai 2021 às 02:00

Colunista

Máscara
Uso de máscara no convívio social reduz o contágio da Covid-19 Crédito: Pixabay
resistência ao uso de máscaras, mais de um ano após a sua adoção ter sido preconizada pela comunidade científica como medida de proteção contra a Covid-19, é um dos aspectos mais intrigantes desta pandemia. É a exposição do negacionismo no rosto de quem insiste em não usá-las, incluindo na lista o próprio presidente da República, com o controverso argumento de que se trata de uma liberdade individual. Mas também pode ser um descaso menos engajado, um desleixo com a própria vida e com a dos outros. E, em condições tão desfavoráveis a uma medida tão simples de proteção coletiva, municípios do Espírito Santo começaram a adotar punições mais duras.
SerraAnchietaCachoeiro de Itapemirim e Pedro Canário são algumas das cidades que decidiram multar quem não usa a máscara, nas últimas semanas. No geral, os estabelecimentos são responsabilizados por permitirem a circulação de pessoas sem a proteção, mas essas prefeituras passarão a penalizar também as pessoas físicas. Em Cachoeiro, a prefeitura vai multar, com valores a partir de R$ 997, quem estiver sem máscara em espaços públicos e privados acessíveis ao público. O decreto, que passou a valer no último dia 30, terá caráter educativo durante 30 dias, quando então as multas começarão a ser aplicadas.
Na Serra, o valor a ser desembolsado por pessoa física será de R$ 550, e a fiscalização ficará a cargo de uma força-tarefa formada por policiais militares, civis, bombeiros, agentes da guarda municipal e de trânsito, entre outros. Em Pedro Canário, quem for flagrado sem o acessório terá de desembolsar  50 Unidades Fiscais do Município (UFM), cerca de R$ 150, de acordo com o decreto municipal. E em Anchieta, a primeira das quatro cidades a adotar a medida, quem for flagrado sem a máscara vai ser orientado e notificado, mas, se houver resistência, pessoas e empresas serão multadas.
A  lei federal 14.019, sancionada em 2 de julho de 2020, determina o uso obrigatório de máscaras no Brasil. No Espírito Santo, a obrigatoriedade foi decretada há quase um ano, em 8 de maio de 2020. Mas a previsão de multas e a fiscalização ficam a cargo das administrações municipais. Não se chegaria a esse ponto da punição individual se houvesse o cumprimento efetivo da norma, por livre e espontânea vontade. O uso da máscara é infinitamente menos incômodo do que as consequências trágicas de não usá-la. É um exercício de cidadania que, lamentavelmente, cada vez mais precisa ser cobrado para ser cumprido.
Há uma analogia ao alcance das mãos: a máscara se tornou o novo cinto de segurança. Antes da promulgação do Código Brasileiro de Trânsito, em 1997, o equipamento de proteção era tratado quase como um adorno. A partir do momento em que a lei passou a prever multas e, sobretudo, a fiscalização ficou mais atuante, o uso do cinto de segurança passou a ser um comportamento quase automático dentro dos veículos. Mesmo que se saiba que ele está ali para salvar vidas, é a punição que tem caráter educativo no Brasil. Mas, para tanto, a lei precisa ser aplicada. 
A proteção facial é essencial para conter a disseminação do novo coronavírus, e é importante por permitir algum nível de interação social que permita a atividade econômica. Sem a máscara, pegar ônibus, ir ao médico, fazer compras, trabalhar... atividades que estão sendo possíveis atualmente seriam inviabilizadas pelo risco aumentado de contágio. O acessório, hoje, é a garantia que permite cumprir alguns aspectos da rotina com mais segurança. 
E é preciso disseminar o conhecimento sobre as máscaras, que evoluiu desde o início da pandemia. As máscaras caseiras, de pano, têm um nível de proteção mais baixo do que as cirúrgicas, mas valem para determinados tipos de ambientes e tempo de exposição. Ainda faltam políticas públicas que pensem na distribuição sistemática e organizada de máscaras para os setores mais carentes da população.
Quando utilizadas por grande parte da população, de forma adequada (cobrindo nariz e boca), as máscaras têm efeito protetor cientificamente comprovado, reduzindo significativamente a propagação do coronavírus no ambiente e, consequentemente, o contágio. Mas a máscara é um item de segurança que não pode ser solitário, soma-se à adoção de outro comportamento essencial, o distanciamento social. São duas posturas simples, que salvam vidas, mas que lamentavelmente ainda precisam de um castigo para serem levadas a sério.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Gabriela Sartório morreu após ser atropelada enquanto pedalava
Morre ciclista atropelada por motorista que confessou ter bebido em Vitória
Aplicativos sugerem investimentos, mas decisões podem ser influenciadas por taxas, comissões e algoritmos
O mercado não é seu amigo: quem ganha antes de você com seus investimentos
A WN7 é o primeiro modelo elétrico de grande porte da Honda.
Moto elétrica da Honda é premiada como melhor design de produto

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados