“Parece um filme de terror”, desabafou, aos prantos, a sogra de um dos três mortos no ataque no alto do Morro do Moscoso, no Centro de Vitória. Não é exagero, só que a brutalidade do episódio chega a superar a da ficção justamente por ser a realidade nua e crua dos moradores da região, incluindo também a vizinha Piedade. Não há consolo para quem conhece a fundo o significado da palavra “desamparo”.
E janeiro não deu trégua após um ano de 2018 violento para as comunidades da região. A noite da última segunda-feira (14) já está marcada como uma das mais sangrentas, menos de um mês depois de a base fixa da Polícia Militar ser inaugurada na parte baixa do Morro da Piedade. O funcionamento da instalação policial não foi capaz, contudo, de interromper o ciclo de terror que tem vitimado também inocentes.
A guerra nos morros vem mudando a configuração do tráfico nas comunidades do Centro, sem que as autoridades de segurança consigam antecipar seus passos. É imprescindível que as motivações do ataque brutal de segunda-feira sejam esclarecidas, e os criminosos, presos. Mas trata-se de uma ação pontual a ser desvendada. O combate à violência do tráfico exige políticas de Estado, perenes, que não se desmantelem a cada novo governo. Prefeitura, governos estadual e federal precisam se fazer presentes, para que as cenas tão marcantes do ano passado, de moradores abandonando suas casas para fugir da violência, nunca mais ocorram. Essa desmoralização tem que acabar!