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Opinião da Gazeta

Projeção de alta na produção de petróleo no ES mostra que monopólio estatal não é solução

A entrada da iniciativa privada em campos terrestres de petróleo, com capacidade de investimento e interesse em alavancar a produção local, pode levar a um salto de cerca de 50 mil barris em uma década

Publicado em 29 de Setembro de 2020 às 06:00

Públicado em 

29 set 2020 às 06:00

Colunista

Produção de petróleo em terra, em Linhares
Produção de petróleo em terra, em Linhares Crédito: Carlos Alberto Silva
Se a exploração de petróleo em terra se tornou um patinho feio para a Petrobras com a revisão de seu portfólio de negócios, a produção pode ganhar novo status com a entrada de novas empresas no mercado, movimentando uma cadeia de produção importante principalmente no Norte do Espírito Santo. Só há o que comemorar.
A entrada de companhias com capacidade de investimento e interesse em alavancar a produção local, que já chegou a atingir os 25 mil barris por dia e atualmente não passa dos 9 mil, pode levar a um salto de cerca de 50 mil barris em uma década. Um exemplo de que privatizações e concessões são bem-vindas em setores que não necessitam da mão estatal.
Nos últimos anos, a chamada produção onshore caiu significativamente, com a Petrobras focando seus investimentos em campos marítimos com maior potencial de produtividade, como os do pré-sal.  De forma benéfica para o mercado,  a estatal vem colocando esses campos terrestres à venda para a iniciativa privada. 
Em agosto, a empresa informou o fechamento de um contrato de US$ 155 milhões com a Karavan SPE Cricaré para venda de sua participação em 27 concessões terrestres de exploração e produção, o Polo Cricaré, no Espírito Santo. O Polo Norte Capixaba, entre São Mateus, Linhares e Jaguaré,  é a principal região produtora em terras capixabas e  também foi colocado à venda pela Petrobras no mês passado.
Assim como  o compromisso da Petrobras de vender sua participação no transporte e na distribuição de gás até 2021 vai modernizar o mercado do insumo e a venda de refinarias vai ampliar a competitividade, a retirada calculada da exploração onshore é importante passo na redução desse monopólio estatal, que fragiliza uma indústria que, com a criação desse novo mercado, passará a oferecer preços mais justos e mais capacidade de investimento com novos atores.
E não há prejuízos para a Petrobras, que passa a se dedicar aos setores nos quais detém expertise, com sua estratégia de alocar capital onde possui mais diferencial competitivo. A empresa pode crescer sem o peso de um portfólio diversificado demais e, consequentemente, mal administrado e dispendioso. É uma situação ganha-ganha, com a possibilidade de  empresas menores entrarem em  um segmento importante para a geração de empregos e com oportunidades de negócios ainda a serem desbravadas.
Foi em 2018 que um programa, batizado de Reate,  foi instituído por meio de uma portaria do Ministério de Minas e Energia (MME)  para revitalizar as atividades de exploração e produção  de petróleo e gás em áreas terrestres.  Uma oportunidade de aumentar e diversificar operadoras e fornecedores. É uma cadeia que não pode ser desperdiçada, como vinha sendo com a atuação exclusiva da Petrobras. 

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