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Opinião da Gazeta

Nem tudo é Covid-19: gestão da saúde não pode abandonar demais doenças

O mesmo poder público que se dedica a prover a assistência aos combalidos pela Covid-19 não está sendo capaz de organizar uma estrutura médica e assistencial que, paralelamente à pandemia, consiga dar conta das demais demandas

Publicado em 24 de Junho de 2020 às 06:00

Públicado em 

24 jun 2020 às 06:00

Colunista

As irmãs Suzana (à esquerda) e Suely Lima, ambas portadoras de uma doença rara, a osteogênese imperfeita, mais conhecida como ossos de vidro ou de cristal
As irmãs Suzana (à esquerda) e Suely Lima, ambas portadoras de uma doença rara, a osteogênese imperfeita, mais conhecida como ossos de vidro ou de cristal Crédito: Arquivo pessoal
Lá se vão mais de três meses desde que o Espírito Santo começou a se mobilizar para enfrentar a maior crise sanitária das últimas gerações. Com mais de 37 mil casos registrados de Covid-19,  1.078 deles ingressando nas estatísticas somente nesta terça-feira (23), a pandemia segue indiscutivelmente imbatível no Estado. O necessário esforço direcionado para o tratamento dos infectados pelo novo coronavírus no sistema de saúde não está, portanto, em questão; do contrário, a inércia do poder público no enfrentamento da mazela sanitária causaria justa indignação.
Mas vale a reiteração: já são mais de três meses. Para pacientes com doenças crônicas, é tempo demais sem acesso a medicamentos, consultas e procedimentos essenciais para a manutenção da saúde e, consequentemente, da qualidade de vida. É o caso das irmãs Suely e Suzana Lima, portadoras osteogênese imperfeita, uma doença rara mais conhecida como ossos de vidro ou de cristal.
Com o Hospital Dório Silva, na Serra, dedicando-se aos pacientes da Covid-19, as duas se viram desamparadas, pois era no local que realizavam um procedimento de medicação com necessidade de internação, a cada seis meses. O tratamento foi suspenso e não há previsão de quando seja retomado.
Como as irmãs, pacientes em tratamento de câncer, diabetes, problemas cardíacos e tantas outras enfermidades também estão desassistidos, mas não só eles. As unidades de saúde são a porta de entrada do sistema, e não podem estar fechadas tampouco para aqueles que buscam atendimentos ocasionais, com casos menos graves, mas também qualificados para o atendimento público. 
O mesmo poder público que se dedica a prover a assistência aos combalidos pela Covid-19 não está sendo capaz de organizar uma estrutura médica e assistencial que, paralelamente à epidemia, consiga dar conta das demandas preexistentes. E não somente daqueles que já dependiam de tratamentos antes da crise; não se pode esquecer que as pessoas continuam adoecendo diariamente.
Está faltando planejamento, de Estados e municípios, para a abertura de canais mais eficientes para acolher quem precisa de atendimento para outras enfermidades enquanto o Espírito Santo é atravessado pela pandemia.
Há três meses, em meio à emergência de uma doença totalmente desconhecida e potencialmente contagiosa, a desmobilização da estrutura de especialidades existente para concentrar-se no atendimento aos pacientes de Covid-19 acabou sendo necessária, mas a decisão precisa ter prazo de validade. Há, evidentemente, um problema de recursos humanos que também carece de solução.
É urgente a busca de alternativas viáveis, no contexto pandêmico, de atingir essas milhares de pessoas que dependem de tratamento contínuo e as que eventualmente necessitarão de uma consulta.
Os atendimentos on-line, como os oferecidos pela Prefeitura de Vitória, acabam sendo paliativos em casos de mais gravidade. Sem falar que o acesso à tecnologia ainda está longe de ser democratizado. 
Em Vila Velha, a prefeitura informou que consultas e exames especializados agendados antes da pandemia serão remarcados assim que o atendimento se normalizar. A questão aqui é a imprevisibilidade, daí a importância de um plano de contingência que abrace quem está fora das fronteiras da Covid-19. Não é possível mais esperar, é hora de encarar a tão propalada "nova normalidade" também na oferta de saúde pública.
A gestão dos tratamentos e procedimentos cirúrgicos eletivos, suspensos pela Portaria Nº038-R, de 20 de março, precisa encontrar formas de se adaptar ao cenário da pandemia, porque mesmo em casos nos quais não há urgência, é a saúde das pessoas que está em risco.
Há um perigo rondando a saúde pública, como no caso de pessoas com sintomas que acabam adiando a visita ao médico por conta da crise sanitária. Três meses se passaram, e conclui-se que já é tempo de realizar uma calibragem no sistema para equilibrar o socorro às milhares de pessoas que buscam a cura para a Covid-19 com o amparo aos que sofrem de todas as demais doenças, as potenciais vítimas da epidemia do descaso.

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