Quem depende do transporte público na Grande Vitória enfrenta diariamente uma série de transtornos. Superlotação, atrasos, desconforto e insegurança já são companheiros de viagem dos passageiros do Sistema Transcol. Mas um laudo do Crea-ES obtido com exclusividade pela equipe do Bom Dia ES, da TV GAZETA escancarou outros problemas que estavam ocultos da população e cravou: a situação dos terminais é “preocupante”. As vistorias do órgão encontraram desde problemas estruturais, como trincas em vigas de sustentação, até barata em caixa-d’água.
No Terminal de São Torquato, em Vila Velha, os engenheiros encontraram o para-raio com o fio de aterramento cortado. Já no de Laranjeiras, na Serra, havia extintores de incêndio vazios. Ou seja, os equipamentos apenas serviam como monumentos à inutilidade. Sem entrar em minúcias, as irregularidades incluíam ainda fiação exposta e amarrada com fita isolante, banheiros sem portas e sem ligação à rede de esgoto e pilares de sustentação interditados e cobertos com madeirite há nove anos por conta de infiltração. Nove anos! Diante desse cenário de claro abandono, fica mais fácil entender o que levou o Terminal de Itaparica, também em Vila Velha, a ser fechado no dia 21 de julho do ano passado por risco de desabamento do telhado.
A obra desse último terminal, caso mais emblemático da negligência, vai demorar ainda mais seis meses para ser concluída, se a previsão de entrega for cumprida. Enquanto isso, as cerca de 7,5 mil pessoas que utilizam diariamente o Transcol encaram uma passagem mais cara, reajustada em 10% no último mês – ao mesmo tempo em que as empresas do sistema tiveram um salto de 72% no valor do subsídio, valor que indiretamente, também pago pelos contribuintes.
Diante dos problemas apontados pelo Crea-ES, a Ceturb declarou que nenhum deles coloca em risco a integridade dos usuários. Reiterou a previsão de investimento de 18 milhões ao longo de 2019 e citou melhorias na pista de rolamento. É pouco. Caso não haja um planejamento sério do governo estadual para sanar os problemas já existentes e investir em prevenção, o contribuinte viverá para financiar remendos que chegam tarde. Corrigir problemas criados por falta de manutenção é desperdício de dinheiro público e, nesse caso, à custa do sofrimento diário de quem paga pela obra, a população.