A economia é uma constante disputa. Para o Espírito Santo ficar mais competitivo, as condições de tráfego da BR 262, uma das principais artérias do Estado, precisam ser melhoradas radicalmente. Por isso, é muito bem-vinda a proposta de concessão dessa rodovia ao setor privado. É o caminho natural para a realização de obras que o governo não tem capacidade financeira nem agilidade para realizar, conforme demonstra há muitos anos. É preciso cessar esse prejuízo.
A duplicação da 262 é uma novela iniciada há 13 anos, e ainda longe do final. Quando foi anunciada, em 2006, deveria se estender ao longo de 52 quilômetros, um pouco mais de um quarto da extensão total de 196,4 quilômetros no território capixaba. No entanto, nem um pequeno trecho de 7,2 quilômetros, entre Domingos Martins e Marechal Floriano, recebeu obras no prazo prometido. Os atrasos resultam em transtornos constantes e tornam maior a probabilidade de acidentes – que são muitos, vide os registros. Vê-se uma situação lamentável de descaso com vidas humanas.
A instalação de novo governo no país também acende esperança de competência na modelagem da concessão. Há um histórico de tentativas fracassadas. Em setembro de 2013, as regras da concessão afugentaram investidores. Não houve propostas. Um mês antes, A GAZETA alertou que as condições estabelecidas no contrato poderiam suscitar desinteresse do setor privado.
Em 2015, ocorreu o inusitado. Por incrível que pareça, ministros do governo Dilma simplesmente “esqueceram” de incluir a estrada do Espírito Santo no Programa de Investimento em Logística (PIL), causando enorme constrangimento político nas relações entre o Estado e o Planalto. Tecnicamente, foi uma aberração. Desdenhou-se da importância da logística de transporte num Estado de alto destaque no comércio exterior e de posição estratégica na circulação de produtos no mercado interno.
É positiva a sinalização do governo federal apontando o mês de abril como provável data do certame para a concessão da BR 262. Espera-se que até lá o Planalto tenha tomado medidas importantes visando a embalar o crescimento da economia no âmbito fiscal, indispensáveis para aumentar a confiança de investidores. Certamente, isso valorizará a concessão prometida.