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Opinião da GAZETA

Transcol mantém as portas fechadas para a dignidade

Os ônibus, com passagens mais caras, continuam lotados, com a população sofrendo com atrasos e calor, tendo de suportar terminais e pontos com péssima infraestrutura

Publicado em 25 de Janeiro de 2019 às 13:04

Públicado em 

25 jan 2019 às 13:04

Colunista

Passageiros tentando entrar em ônibus do Transcol Crédito: Gabriel Lordêllo
O início do ano foi de aumentos para o Sistema Transcol. Há duas semanas, o governo do Estado anunciou tarifas R$ 0,35 mais caras, chegando a R$ 3,75. Na quarta-feira, este jornal revelou que os reajustes não pararam por aí. O subsídio repassado pelo governo estadual às empresas de transporte teve expansão recorde: de R$ 0,6191 para R$ 1,0694 por passagem, um aumento de 72,73%. Só no último ano, foram quase R$ 100 milhões gastos com o subsídio dado ao setor. Tudo bancado pelos contribuintes.
Enquanto isso, os ônibus continuam lotados, com a população sofrendo com atrasos e calor, tendo de suportar terminais e pontos com péssima infraestrutura. Encarar o transporte público para se locomover na Grande Vitória é um infortúnio diário. Pode-se dizer que, dentro de um coletivo lotado, é difícil a dignidade embarcar.  É lamentável que os menos favorecidos ainda tenham de enfrentar uma rotina extenuante, de esperas longas nos pontos, viagens demoradas e desconforto.
Os desafios da mobilidade urbana têm se transformado ao longo dos anos, no compasso da expansão da Região Metropolitana. As necessidades do usuário de transporte público em 1989, ano da implantação do Sistema Transcol, não são mais as mesmas em 2019. A integração promovida há três décadas mudou positivamente a locomoção intermunicipal, mas se avançou pouco desde então. Os ônibus vivem superlotados nos horários de pico; passageiros sofrem com o calor e, principalmente, com a insegurança. Sem falar nos terminais, maltratados pela ação do tempo. Nem os mais novos escapam, caso do Terminal de Itaparica, interditado após uma avaliação comprovar riscos estruturais no local.
Tudo o que já foi pensado para melhorar o transporte público vai sendo deixado para trás, e o BRT é um dos exemplos mais emblemáticos. Foi, no início desta década, a menina-dos-olhos dos projetos de mobilidade urbana, até ser descartado por conta da crise econômica.
O governo estadual garante que o aumento do subsídio permitirá novos investimentos, inclusive para cumprir a promessa de entregar cem ônibus com ar-condicionado. A transformação precisa ser maior e mais conceitual. O transporte coletivo é a realidade de muita gente, a única possibilidade de ir e vir. Que seja possível desfrutar de mais conforto e segurança é o mínimo que se pode receber em troca.

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