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Opinião da Gazeta

Vila Velha sofre as trágicas consequências do "prende e solta"

É inconcebível que um dos bandidos mais procurados do Estado tenha voltado às ruas em tão pouco tempo, incitando uma guerra que tem provocado também a morte de inocentes

Publicado em 07 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

07 mar 2022 às 02:00

Colunista

ibes
Três pessoas são baleadas e uma morre no Ibes, em Vila Velha Crédito: Reprodução | Imagens do Movimento Comunitário do Ibes
O que está acontecendo em Vila Velha? Essa é a pergunta que passa pela cabeça de qualquer leitor mais atento ao noticiário policial neste início de ano. A cidade atravessa uma escalada de violência, com sucessivas execuções, tendo vítimas de balas perdidas como efeito colateral trágico, tratadas inclusive neste espaço em 21 de fevereiro
As estatísticas vieram confirmar a percepção de que a situação estava fora de controle: nos dois primeiros meses de 2022, foram registrados 41 homicídios no município, sendo 22 em janeiro e 19 em fevereiro, um aumento de 156% em relação ao primeiro bimestre de 2021. E um contraste em relação ao Estado, que no mesmo período registrou 164 assassinatos, o menor número em 26 anos.
A resposta para a indagação é velha conhecida: a guerra do tráfico de drogas. O que Vila Velha testemunha neste início de ano, municípios como Vitória e Serra já vivenciaram em outras ocasiões recentes, sempre com algum contexto de disputas entre gangues rivais pelo controle do negócio ilegal. No mundo do crime, a concorrência é exterminada à bala, sem metáforas, e a população acaba sempre refém. Em Vila Velha, o enredo começou com um chefe do tráfico do Ibes saindo da prisão e avançando sobre outros bairros para recuperar o poder perdido enquanto estava atrás das grades.
Essa liderança se chama Luan Resende Buarque, que não é um criminoso qualquer: até ser preso no Rio de Janeiro em junho do ano passado por conta de um mandado de prisão por um homicídio ocorrido em 2019, ele era um dos mais procurados do Espírito Santo. Foi transferido para o Estado e acabou sendo colocado em liberdade seis meses depois. Mesmo acumulando 22 passagens pela polícia, por homicídio, tráfico de drogas, entre outros crimes, de acordo com o secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho.
À luz do Direito e dos trâmites legais, a decisão judicial pela soltura é soberana, mas a sociedade tem o direito de questioná-la. E exigir que um bandido com uma ficha tão suja, que impõe risco à ordem pública e a vida de tantas pessoas, não seja colocado em liberdade com tanta facilidade. Se a lei tem brechas, que os legisladores brasileiros tratem de fortalecê-la.
O que não dá mais é ver a mesma história se repetir com tanta frequência, só mudando os personagens. É inconcebível que um dos bandidos mais procurados do Estado tenha voltado às ruas em tão pouco tempo. Vila Velha sofre as consequências dessa decisão, inclusive com a morte de inocentes.
A segurança pública exige mais interação entre os poderes institucionais, o prende e solta não pode chegar a um nível tão irresponsável a ponto de colocar uma cidade inteira sob artilharia. Sabe-se que os presídios passam por uma situação-limite, e o mínimo que se exige é que, na racionalidade do aprisionamento, a Justiça mantenha preso quem não tem a mínima condição de viver em sociedade. 
Na noite de quarta-feira (2), um jovem de 19 anos foi morto em Santa Mônica, e as investigações indicam que tenha sido um ato em revide aos disparos efetuados no Ibes semanas antes, que vitimaram uma advogada. Em tempos de guerra no leste europeu, com inocentes perdendo a vida em meio ao fogo cruzado, fica evidente que aqui a população também está em meio a uma guerra.

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