Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

  • Início
  • Editorial
  • Vingança, como a apoiada por Capitão Assumção, não passa de populismo
OPINIÃO DA GAZETA

Vingança, como a apoiada por Capitão Assumção, não passa de populismo

A expressão "violência gera violência" não é um clichê por acaso: precisa mesmo continuar sendo repetida à exaustão

Publicado em 17 de Setembro de 2019 às 01:31

Públicado em 

17 set 2019 às 01:31
Redação de A Gazeta

Colunista

Redação de A Gazeta

online@redegazeta.com.br

Capitão Assumção é deputado estadual pelo PSL Crédito: Lissa de Paula/Ales
É preciso acreditar que a lucidez de um familiar de Maiara Oliveira, assassinada brutalmente na frente da filha, na semana passada, ainda se conserva na sociedade, ou todos os cidadãos estarão abandonados à própria sorte. Até mesmo a noção de cidadania ganha outra dimensão quando uma autoridade, como é o caso do deputado Capitão Assumção, toma para si a primazia da lei e decide, autoritariamente, como proceder com os suspeitos de um crime. A violência pela violência, como o parlamentar defendeu em plena tribuna da Assembleia, é o retorno à barbárie, o assassinato da civilidade.
Justamente por isso, a fala de um parente da jovem, mesmo abalado pelas circunstâncias desumanas do homicídio, carrega tanta sabedoria: “No primeiro momento, a gente até fica tentado a ir por esse pensamento (de vingança), mas, ao refletir melhor, essa é a mesma lógica dos assassinos”, reagiu o familiar, não identificado por questões de segurança.
A declaração é poderosa em diversos aspectos. Por colocar a vingança no seu devido lugar: um desejo demasiadamente humano, mas que deve ser descartado imediatamente quando se prioriza aquilo que difere homens de animais: a racionalidade. O “primeiro momento” ao qual ele se refere, o da revolta, é justamente a porta que se abre para discursos populistas como o do deputado, que ecoa com facilidade em uma sociedade sufocada pela violência, que exige reações do Estado, mas testemunha a impunidade.
Porém, o que precisa ser compreendido é que o populismo é sempre simplista, covardemente foge das nuances e dos dilemas. Se a lei de talião prevalecer, o “cada cabeça, uma sentença” será a regra do jogo, sem um aparato jurídico para estabelecer a mesma legislação para todos. O Estado democrático de Direito se esfacela.
Há ainda muita injustiça, muita impunidade e a consequente descrença nas instituições. Não se nega, pois, que punições devam ser mais duras. Mas execuções sumárias de suspeitos e criminosos não pacificam a sociedade. O Espírito Santo mesmo tem exemplos relativamente recentes, como o do Esquadrão da Morte, cujas ações foram desveladas há 50 anos. A ação de justiceiros prosseguiu nas décadas seguintes sem que, com isso, houvesse redução da criminalidade. Pelo contrário. A expressão “violência gera violência” não é um clichê por acaso: precisa mesmo continuar sendo repetida à exaustão.

Redação de A Gazeta

Fique por dentro das ultimas noticias do Espirito Santo, do Brasil e do mundo com a redacao de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Quer ganhar massa muscular? Veja 10 receitas com peixe ricas em proteínas
Imagem de destaque
Empresário é sequestrado em Cariacica e obrigado a sacar R$ 9 mil em Vila Velha
Trecho será fechado por uma hora para obra de duplicação; operação depende das condições climáticas
BR 101 será interditada nesta quarta (22) para detonação de rochas em Iconha

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados