A disciplina de Linguagens aparece como um dos maiores desafios para os candidatos que estão se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A prova não avalia apenas conhecimentos gramaticais, mas principalmente a capacidade de compreender, interpretar e relacionar textos de diferentes gêneros. Essa abordagem exige dos estudantes um olhar mais atento às atualidades e um repertório cultural diversificado.
Para ajudar os alunos nesse momento decisivo, professores de português, inglês e espanhol reuniram orientações práticas que podem fazer diferença na hora da prova. A ênfase, segundo eles, deve estar na leitura crítica, no contato constante com diferentes gêneros textuais e na habilidade de perceber nuances de linguagem que vão além das palavras.
Português: foco em gêneros textuais e leitura crítica
A professora de Língua Portuguesa e redação do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Eliane Dias Martins ressalta que a habilidade de reconhecer e compreender diferentes gêneros textuais é indispensável. “O Enem cobra muito gêneros textuais. O aluno precisa saber se um texto é jornalístico, qual é a intenção, a estrutura, a linguagem, o público-alvo. É fundamental distinguir um gênero do outro, uma intenção da outra”, explica.
Além disso, ela destaca a importância da variação linguística, conteúdo que se conecta diretamente à competência da leitura. “A depender da situação comunicacional, a linguagem vai variar. Isso não significa erro, mas sim variação dentro de um tempo histórico, de um espaço geográfico, de um grau de escolaridade”, acrescenta.
Outro ponto sempre presente é o das funções da linguagem, como a emotiva e a apelativa. Mas, para a professora, o mais importante continua sendo a interpretação de textos.
O Enem trabalha todos os conteúdos, inclusive a gramática, a partir do texto. O aluno precisa compreender quem está falando, por que está falando e com que finalidade. Precisa entender as entrelinhas e saber fazer comparações entre textos diferentes
No campo da redação, Eliane reforça que a atualização é decisiva. “Os temas cobrados são sempre ligados a cidadania, direitos, política, saúde e segurança. É fundamental que o estudante esteja atento ao que está acontecendo no Brasil e no mundo”, comenta.
Segundo ela, trabalhar repertórios em torno de eixos temáticos – como meio ambiente, democracia, saúde ou trabalho – pode ajudar o aluno a se preparar melhor. No entanto, ela alerta: “Estruturas pré-fabricadas e repertórios prontos serão cada vez mais penalizados. O aluno precisa mostrar autoria, maturidade e uma perspectiva crítica.”
Espanhol: interpretação e atenção ao enunciado
A especialista em Língua Espanhola e mestra em Educação Marinês de Oliveira Mendes reforça que, assim como em inglês, o Enem não exige do estudante domínio de gramática tradicional. “Desde 2009, a prova não cobra gramática de forma pontual. O foco está na compreensão e interpretação do texto”, lembra.
Segundo Marinês, a variedade de gêneros é um caminho de preparação essencial. “O aluno precisa ler tudo o que vier pela frente: charge, tirinha, reportagem, notícia. Muitas vezes, o enunciado já dá o caminho da resposta”, orienta.
Ela acrescenta que prestar atenção às palavras destacadas — em negrito, caixa alta ou itálico — pode fazer a diferença na hora da prova, evitando que o estudante perca tempo com leituras desnecessárias.
Outro ponto de atenção são os falsos cognatos, palavras que parecem ter o mesmo significado em português e espanhol, mas que, no contexto da questão, assumem outro sentido. “Se o aluno não souber o significado daquele falso cognato, pode caminhar a interpretação para outro viés e atrapalhar a resposta correta”, explica.
Quanto mais próximo ele estiver do idioma, mais fácil será compreender e interpretar
Para a professora, quanto maior o contato do estudante com a língua, melhor será seu desempenho. Ela recomenda práticas simples no dia a dia, como ouvir músicas, assistir a filmes legendados e acompanhar noticiários em espanhol.
Inglês: leitura crítica e vocabulário temático
No inglês, a lógica é semelhante. O professor Guilherme Póvoa, também do Ifes, enfatiza que o Enem não avalia regras gramaticais de forma direta. O foco está em como o estudante lida com a leitura. “A competência que o aluno precisa dominar é a leitura e interpretação de textos na língua estrangeira. Não adianta traduzir palavra por palavra. É preciso compreender o sentido global”, destaca.
Para ele, estratégias que já são aplicadas na leitura em português podem ajudar no inglês. Identificar gêneros textuais, reconhecer intenções, captar ironias e críticas sociais são habilidades que o aluno deve treinar. “Se o estudante já souber fazer essa leitura em português, já é meio caminho andado.”
Mais importante que decorar regras é praticar a leitura crítica. A língua inglesa no Enem é uma ferramenta de acesso ao conhecimento do mundo
O professor recomenda também a criação de listas de vocabulário por temas, especialmente em áreas recorrentes na prova. “Um exemplo é o tema da migração. O aluno pode pesquisar sobre o assunto e aprender termos que conversem com a temática, expandindo assim o vocabulário”, orienta.
Segundo ele, a leitura crítica deve ser prioridade. “O Enem não cobra gramática tradicional. Ele vai avaliar a capacidade de o aluno ler e interpretar textos autênticos em inglês, sempre ligados a temas atuais e relevantes", conclui.