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Sisu+: nova etapa dará chance a quem não conseguiu vaga no processo regular

Nova fase do sistema permite reutilizar notas antigas e dá mais flexibilidade ao candidato após o processo regular

Publicado em 05 de Maio de 2026 às 14:23

Nicoly Reis

Publicado em 

05 mai 2026 às 14:23

O Ministério da Educação (MEC) lançou uma nova etapa dentro do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) com o objetivo de reduzir o número de vagas ociosas nas universidades públicas. Nomeada Sisu+, a iniciativa passa a funcionar a partir de 2026 como uma fase complementar ao processo seletivo tradicional.


A medida não cria um novo vestibular, mas amplia as possibilidades dentro do próprio sistema e surge como uma tentativa de tornar o preenchimento das vagas mais eficiente. Assim, candidatos que não conseguiram conquistar uma vaga no Sisu regular terão uma nova oportunidade de ingressar na universidade.

Página do Sisu 2023 na internet
Participantes terão uma nova oportunidade de ingressar em universidades públicas
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Como vai funcionar?

O Sisu+ entra em ação apenas após o encerramento de todas as convocações da lista de espera do Sisu regular. Ou seja, é uma etapa final, voltada exclusivamente para preencher vagas que não foram ocupadas ao longo do processo principal.


As vagas ofertadas seguem critérios definidos por cada instituição, respeitando regras como a oferta mínima por curso e a garantia de ao menos uma vaga para ampla concorrência. O Sisu+ seguirá as mesmas regras do processo regular e utilizará as notas do Enem válidas para o sistema.


O candidato pode se inscrever em até dois cursos, independentemente das opções feitas anteriormente no Sisu regular. Também é possível atualizar dados socioeconômicos e alterar a modalidade de concorrência, como cotas ou ampla concorrência, mudanças que são válidas exclusivamente para essa etapa.


A adesão é feita pelas próprias instituições públicas de ensino superior, que precisam formalizar a participação por meio de um termo adicional. Só podem participar universidades que já integraram o Sisu regular naquele ano.


O cronograma inicial prevê que as instituições façam a adesão ao Sisu+ entre os dias 4 e 29 de maio de 2026. A etapa com participação dos candidatos ocorre posteriormente, após o encerramento completo do Sisu regular.

Quem pode participar?

A participação no Sisu+ é destinada a candidatos que já tenham feito o Enem e se inscrito no Sisu regular daquele ano.


A seleção continua sendo feita exclusivamente com base nas notas do exame, sem inclusão de novos critérios ou provas adicionais.

Mudanças no Enem 2025

Essa não foi a única novidade recente envolvendo o Enem. Uma das principais mudanças está na forma de utilização das notas. Pela primeira vez, o sistema passou a considerar até três edições do exame — neste caso, os anos de 2023, 2024 e 2025.


O próprio sistema seleciona automaticamente a melhor média do candidato, levando em conta os pesos definidos para cada curso.


Antes restrito à edição mais recente, o desempenho do estudante pode agora ser aproveitado por mais tempo, o que reduz a dependência de uma única prova.


Com a possibilidade de utilizar as três últimas edições do Enem, houve uma ampliação do número de candidatos aptos ao processo seletivo, o que contribuiu para um aumento generalizado das notas de corte.


Em análise comparativa entre a última parcial e os resultados finais do Sisu 2025, o professor e especialista em vestibulares Paulo Victor Scherrer aponta que o cenário foi influenciado, sobretudo, pelo crescimento no número de candidatos disputando as mesmas vagas.


O especialista reforça que a mudança faz parte de uma tentativa recorrente do governo de reduzir a ociosidade de vagas — um problema histórico do Sisu —, mas pode ter gerado efeitos contrários.


Segundo ele, a ampliação das possibilidades de inscrição e uso de notas tende a aumentar o número de candidatos no sistema sem necessariamente refletir maior interesse real nas vagas.

Quanto mais você facilita o acesso, mais você banaliza o acesso. Mais pessoas participam do processo seletivo sem ter real intenção de ingressar no curso

Paulo Victor Scherrer 
Professor e especialista em vestibulares 

Na análise de Scherrer, esse movimento contribuiu para o aumento das vagas ociosas, especialmente em instituições mais concorridas, ao estimular inscrições de candidatos que não pretendem efetivamente se matricular.


Além da novidade da utilização das notas, após a última aplicação, o Enem voltou, depois de nove anos, a ter validade para certificação de conclusão do ensino médio. Para isso, é necessário obter média mínima de 450 pontos em cada uma das quatro áreas de conhecimento (Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática) e alcançar ao menos 500 pontos na redação.

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