Com inauguração prevista para 20 de dezembro, na Enseada do Suá, em Vitória, o Parque Cultural Reserva Vitória promete ser uma espécie de galeria a céu aberto, contando com sete obras de arte contemporâneas permanentes, assinadas pelos artistas capixabas Sandro Novaes e Vilar, além de nomes consagrados da arte moderna, como José Bechara, José Spaniol, Adrianna EU, Thainan Castro e Antônio Bokel.
O espaço será público e gratuito, administrado pela Prefeitura Municipal de Vitória, com manutenção feita pela Associação dos Moradores do Reserva Vitória.
O trabalho de Sandro Novaes, um emaranhado pós-moderno e caótico de linhas em monocromia, produzidos com tubos de aço e pintura epóxi, está disponível para a visitação, mesmo com o local ainda passando por obras. Uma curiosidade: o público poderá se aventurar por meio dos tubos.
A curadoria da parte artística do Reserva Vitória ficou a cargo da Matias Brotas Arte Contemporânea. Em conversa com o "Divirta-se", Lara Brotas falou do pioneirismo do empreendimento.
"Considero o projeto um marco na história das artes do Espírito Santo, uma espécie de conexão direta de Vitória com o país. Temos artistas consagrados e com uma forte representatividade assinando as obras permanentes. José Spaniol, por exemplo, apresentou uma instalação muito elogiada na Pinacoteca de São Paulo", aponta.
Abaixo, veja detalhes de cada obra:
SEM TÍTULO (EXPERIMENTO NIDO 1), DE SANDRO NOVAES
- O ARTISTA: Sandro é capixaba, artista visual, bacharel em artes plásticas e mestre em "Nexos entre: arte, espaço e pensamento", pela Universidade Federal do Espírito Santo, também mestre em "Producción e Investigación en Arte" e atualmente doutorando em "Creación Artística, Audiovisual y Reflexión Crítica", pela Universidade de Granada, na Espanha. Trabalha com desenho, escultura e instalação
- A OBRA: Sua escultura nos remete a um emaranhado caótico de linhas em monocromia. A escultura segue as diretrizes da arte minimalista: a ideia de escolher um módulo (a linha reta) e repeti-lo até o quase desaparecimento deste módulo em favor do surgimento de um sistema visual complexo. Porém, a obra se adianta e cria um artifício fenomenológico que constrói um diálogo direto com a arte contemporânea brasileira, incentivando a relação de participação entre espectador e escultura. Como um grande ninho, o projeto abriga aquele que se propõe a vivenciá-lo e o apresenta a um tipo de percepção distinta da simples passividade contemplativa. Feita em tubos de aço e pintura epóxi
KARMA, DE ANTÔNIO BOKEL
- O ARTISTA: A arte de Bokel tem como pilar o grafite, exibindo um modo de pensar urbano em todas as suas formas de apresentação, fazendo, então, uma ponte entre a arte de rua e a arte contemporânea. Construindo a partir de um vocabulário gráfico sofisticado e personalizado, o trabalho de Antônio Bokel tem a seu favor a energia de uma posição estética bem definida, mesmo que com um grande número de referências visuais. Ao longo das duas últimas décadas, tem apresentado seu trabalho no Brasil e no exterior. Bokel foi indicado ao Prêmio PIPA de arte contemporânea nos anos de 2015 e 2019
- A OBRA: Karma é uma escultura feita em bronze e cimento, em 2014. Baseado nas filosofias e nas religiões indianas, é uma espécie de lei universal de causa e efeito. A lei dita que toda ação tem consequências futuras, que dependem de sua natureza. No caso da escultura, como um efeito dominó, a mesma mão que empurra os blocos segura o peso dos blocos caídos no final
UMA CARTA DE AMOR DIRETO NO CORAÇÃO, DE THAINAN CASTRO
- O ARTISTA: Thainan é artista visual formado em design pela PUC-Rio. Além de designer e ilustrador, sua investigação fala sobre memória: do desdobrar do seu processo de desenho através de uma recuperação física depois de um acidente que lhe tirou temporariamente os movimentos, da busca de instantes e objetos ordinários em seus caminhos pela cidade, dos lugares que passa, e lembranças de outros momentos já vividos. Procura resgatar reminiscências de modo a criar um universo lúdico e nostálgico, desgastado pelo tempo. Trabalhou como assistente de diferentes artistas no Rio de Janeiro, e foi residente da Casa Voa nos últimos três anos. Hoje trabalha no seu estúdio, no Rio de Janeiro
- A OBRA: A ideia da escultura - criada em mármore e latão - veio de uma música que fala sobre “uma carta de amor direto no coração”, sobre aquele respiro fundo que desnorteia a gente quando recebemos uma boa notícia que bate lá dentro. Nessa brincadeira das dualidades do avião "de papel” que penetra o corpo "de bronze”, que o que plaina mais leve que o ar transpassa a gente de forma tão profunda, mas não machuca. Pelo contrário, muitas vezes até cura
PORTA PARA UM DEPOIS, DE ADRIANNA EU
- A ARTISTA: É formada por cursos livres na EAV-Parque Lage e cursos livres de filosofia. Realizou sua primeira exposição individual em 2005, "Trabalhos Recentes, Comemorativa de 20 anos do Paço Imperial/RJ". De lá para cá, participou de diversas exposições coletivas nacionais e internacionais. Sua obra se desdobra a partir das relações de afeto de um eu com o outro, com o espaço que habita, e com ele mesmo. Gosta de pensar que sua trajetória é traçada pelo desejo
- A OBRA: A escultura é formada por uma porta e por marcas da mão de Adrianna, fundidas no bronze. Em um texto, ela define seu trabalho: o antes depois desse exato instante já se passou e o que virá está absolutamente impactado pelo acontecimento do agora. Segundo Heráclito, nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tampouco o homem! Esse tempo de suspensão entre o agora e o por vir nos força a nos rever. Ou melhor ainda, a nos ver. E talvez nosso maior medo não esteja nas incertezas do lugar que nos espera, mas sim da experiência desse “se olhar de perto”. Atravessar as portas que a vida nos propõe é ato que requer uma coragem. Coragem de se saber alguém em eterna busca de si. Ali, do outro lado, o novo, o inédito, o amanhã nos espera
VAZANTE, DE JOSÉ SPANIOL
- O ARTISTA: José Spaniol é artista plástico e professor doutor do Departamento de Artes Plásticas do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Entre 1990 e 1993, estudou na Academia de Artes de Düsseldorf, Alemanha, como bolsista do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico. A produção inicial do artista parte de referências a objetos cotidianos, como portões, balões ou cartazes de rua, e estabelece uma troca entre a função utilitária e a poética. Desde os anos 1990, explora a relação que suas obras estabelecem com a arquitetura e os locais expositivos
- A OBRA: A escultura Vazante - feita em madeira e alumínio fundido - faz parte de uma série de trabalhos concebidos a partir da observação das águas, da imprevisibilidade e surpresa que os oceanos sugerem. Em Vazante, a coluna de palavras que sustenta o barco é formada por 12 frases onomatopaicas, cada uma delas representando uma onda
RANDÔMICA, DE JOSÉ BECHARA
- O ARTISTA: José Bechara é um artista plástico carioca, conhecido pelo seu caráter experimental e a utilização diversificada de métodos e materiais, o que permite novas experiências no campo pictórico. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) e hoje vive e trabalha no Rio de Janeiro. No início de sua carreira, sua obra era predominantemente pictórica, mas a partir do desenvolvimento de sua linguagem poética, os trabalhos passaram a incluir esculturas e instalações, além dos desenhos e pinturas, e a travar um diálogo mais direto com a arquitetura
- A OBRA: Produzida para a sétima edição do torneio Rio Open 2020, a maior competição de tênis da América do Sul, a peça comenta fenômenos aleatórios que oferecem riscos às competências objetivas comuns às disputas esportivas. Através da pequenina bola de tênis, que uma vez lançada toca a rede e assume uma trajetória inesperada, Randômica condena as certezas e nos lembra a ocorrência do acidente, da falha e do acaso no cotidiano dos indivíduos e que disso também somos feitos.
LIBER (LATIM - LIVRO), DE VILAR
- O ARTISTA: Vilar, uma referência da escultura capixaba, cria esculturas e instalações que convidam a reflexões imaginativas, que contornam as essências e o ilusório. O uso proposital da pirita de ferro, ou “ouro dos tolos”, intenciona levar o espectador a pensar sobre a falsidade do brilho metálico que levam tantas pessoas ao engano. Acusa a busca incessante de riqueza como elemento empobrecedor que leva o ser humano ao sofrimento. Ao deixar o ferro de suas esculturas oxidarem naturalmente, revela a ausência de maquilagem sobre a superfície material e ainda em se tratando de óxido, ferrugem, suscita-nos também a ideia de finitude das coisas materiais que tanto seduzem o homem de hoje
- A OBRA: A escultura Libre - criada em tinta automotiva sob aço carbono ½ - nos conduz ao vasto universo do conhecimento, através dos caminhos percorridos para se chegar aonde se pretende. Faz alusão à liderança e ao cotidiano, onde cada página do livro se torna um convite ao expectador a adentrar. O expectador é convidado a percorrer no interior de suas páginas, criando ilustrações temporárias que se multiplicam através da interatividade coletiva ou individual