Motivada por histórias reais de mulheres que recorreram à Justiça em busca de proteção, a assistente social Emilly Tenório transformou em livro sua pesquisa acadêmica acerca do tema. A obra "Lei Maria da Penha e Medidas de Proteção: Entre a Polícia e as Políticas" (Papel Social, 2018) aborda, entre outros assuntos, as medidas deferidas pelo judiciário em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Um dos lançamentos do livro acontece neste sábado, dia 23 de fevereiro, no evento “Nós, Marias”, em Guarapari.
Emilly conta que sua primeira publicação é fruto da dissertação de mestrado. Sob a ótica do trabalho como assistente social, ela aprofundou sua análise a respeito dos aparatos oferecidos pela Justiça às mulheres em situação de violência. “É uma demanda recorrente. No Fórum de Guarapari há um alto índice de solicitação de medidas de proteção”, diz.
Para isso, ela usou processos registrados em uma vara especializada de violência doméstica. De forma sigilosa com relação às identidades, o livro traz as histórias dessas mulheres como forma de conduzir a discussão sobre a Lei Maria da Penha.
“Ao invés de partir da lei, que é bem comum nos livros sobre o tema, eu quis partir da vida das mulheres. A problematização que eu trago é o que elas esperam dessa lei e o que tem sido oferecido para elas. É um conteúdo teórico, denso, crítico, mas que também traz muito do cotidiano, da história de luta e de resistência dessas mulheres”, explica a autora.
Com o decorrer da pesquisa, Emilly percebeu a necessidade de fortalecimento de políticas sociais de prevenção e assistência às mulheres, uma vez que, em grande parte dos casos, essa é a maior demanda do público.
“Muita gente fala em punição, em penas mais duras. Mas a gente percebe que a maioria das mulheres não querem nem representar criminalmente, porque às vezes o homem é o companheiro, é o pai do filho delas. O que elas querem é não viver mais violência”, afirma.
Além disso, a autora reforça na obra a importância do movimento feminista para fortalecer as mulheres e encorajá-las a lutar. “É um livro crítico, mas não é uma cartilha para oferecer respostas prontas. É um debate para gerar outros debates”, resume.
"NÓS, MARIAS"
O livro já foi lançado em Vitória, em duas ocasiões: durante um evento nacional de pesquisadores em serviço social e, depois, com o movimento feminista em uma livraria da Capital.
Dessa vez, a obra ganha destaque no evento “Nós, Marias”, promovido pelo Coletivo Sinestesia, que também tem como objetivo discutir a Lei Maria da Penha e levantar mais questões sobre os direitos da mulher.
Na ocasião, também haverá esquete teatral da Trupe Maratimba, música com Raíssa Castro e Evelyn do Carmo, varal de poesias feministas, sarau e roda de conversa. O encontro acontece a partir das 17h, no Freestyle Studio de Beleza.
"Nós, Marias: pelo fim das violências contra as mulheres"
Quando: sábado, 23 de fevereiro, às 17h30
Onde: Rua Virgínia Martins dos Santos (antiga Rua dos Veranistas), 282, Praia do Morro, Guarapari