Hoje, dia 13 de julho, é celebrado o Dia Mundial do Rock, um gênero musical que pode ser interpretado como trilha sonora de lutas pelos direitos civis, serviu para embalar movimentos pacifistas e inspirar grupos em defesa da igualdade social, de gêneros e de raças.
A ideia da data surgiu a partir do Live Aid, megaevento de rock organizado em 1985, simultaneamente nos Estados Unidos e no Reino Unido, para arrecadar recursos para o combate à fome na Etiópia. Apesar disso, o dia é comemorado somente no Brasil.
Nascido em Vitória, Marco Cypreste está no mundo da música há 22 anos. Vocalista das bandas Back to the Past, Killer Queen e Rising Bones, ele compartilha o pensamento da força política que o rock and roll exerce nos cenários local, nacional e mundial.
"Rock é resistência, sinônimo de luta, lugar de fala. É onde você se posiciona de uma maneira não tão padrão na sociedade. Ele pode ser rebeldia, mas também pode ser amor. É único, acima de tudo. O rock está enraizado em muitas vertentes"
O jornalista, escritor e pesquisador musical José Roberto Santos Neves também pontua que o 13 de julho é sugestivo para comemorar a potência do gênero. "O rock teve essa trilha sonora do Brasil pela democracia, um País melhor e mais justo".
Citando Bob Dylan, John Lennon e Roger Waters, que tinham como algumas bandeiras a luta pela paz, o enfrentamento ao preconceito e ao fascismo, José Roberto destaca que o rock sempre traduziu o inconformismo, a rebeldia, a transgressão.
"Eu acho que o rock está agonizando. Ele precisa reagir, precisa reencontrar sua proposta original. O que me incomoda no rock é que, se você pegar o seu nascedouro, vai ver que está relacionado aos movimentos pacifistas, aos movimentos de luta pelos direitos civis, de lutas contra o racismo"
De acordo com o pesquisador, no Brasil, essas bandeiras estão cada vez mais sendo hasteadas pelos representantes do rap e do hip hop. Geralmente naturais das periferias, os artistas desses dois estilos musicais não se distanciam da sua realidade e, consequentemente, conseguem atrair maior número de público e traduzir os anseios das comunidades.
O desinteresse pelo rock pode ser atestado com um levantamento que mostra as músicas e estilos musicais mais tocados no Spotify Brasil no primeiro semestre deste ano. A pesquisa realizada pelo G1 aponta que o rock - brasileiro e internacional - ficou nas últimas posições, atrás do k-pop, gospel, pagode e muito longe de sertanejo, forró e funk.
"O rock está passando por mais uma dessas crises, talvez, de identidade. A pior coisa para o rock seria virar o 'isentão'. O rock não pode entrar numa bolha e falar 'eu só quero diversão e danem-se os problemas da sociedade'. Isso não cabe ao rock", declarou.
EXPECTATIVA DE RETORNO
Paralisado desde os registros dos primeiros casos confirmados de contaminação de Covid-19 no Espírito Santo, o setor de eventos aguarda autorização das autoridades públicas e sanitárias para retomar o planejamento de shows, incluindo de rock, no Estado.
Mesmo considerando o comportamento de redução dos índices negativos da pandemia e a expectativa de vacinar, com a primeira dose, toda a população capixaba acima dos 18 anos até outubro, o membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), Pablo Lira, explicou, que é ainda não é possível apontar uma data segura para medidas de flexibilização.
"Em relação ao Espírito Santo, ainda é prematuro dizer quando poderemos flexibilizar as atividades do setor de eventos, especialmente porque dependemos de uma série de índices favoráveis em relação à pandemia", disse Lira, em entrevista concedida em junho. Além de membro do NIEE, ele é diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).