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A curiosa história da coruja que visita apartamento em Colatina

Imagina entrar no banheiro e dar de cara com uma coruja-da-igreja, que nem é tão pequenina? O leitor Wellington Borgui narra essa rotina

Publicado em 20 de Setembro de 2023 às 12:56

Mikaella Mozer

Publicado em 

20 set 2023 às 12:56
Uma coruja tem visitado constantemente a casa de um morador de Colatina, na região Noroeste do Espírito Santo. E a última aparição aconteceu na manhã de terça-feira (19), no banheiro do imóvel de Wellington Borgui, que fica no bairro Maria das Graças. Em um vídeo gravado pelo policial penal dá para ver o animal em cima do box abrindo as asas.
Para retirar o animal, o policial acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que levou a conhecida como "coruja-da-igreja" para os arredores do prédio. “Eu nunca cheguei perto por medo de acabar me atacando. Apesar de nunca ter sido agressiva antes e sempre ter saído sozinha, resolvi chamar o Ibama por serem preparados”, explicou Borgui.
A visita da espécie Tyto furcata é a quarta só em setembro, em outros momentos a ave já passeou pela cozinha e sala da casa do policial. Wellington diz que ela parece analisar o ambiente, pois fica ‘paradinha’, além de não se alimentar em nenhuma das ocasiões.
“Ela tem um ninho no forro do prédio e como moro no último andar fica bem em cima do meu apartamento. Pela proximidade, acho que ela acaba entrando aqui para ver se está sem perigo para os filhotes”, comentou. Outra preocupação do policial é com a possibilidade da ave se machucar com panelas quentes ou ventilador de teto, já que a coruja acaba tendo acesso a casa pela janela sem ele ver o exato momento de entrada.
A curiosa história da coruja que visita apartamento em Colatina
"Em alguns momentos eu converso com ela também para ela perceber que não quero o mal dela e sentir que não tem ameaça"
Wellington Borgui - Policial penal
O tamanho da coruja também impressionou o policial, que disse ser maior do que já tinha visto. "Quando não sabia o que era, pensei até que poderia ser um gavião", contou o policial. Porém é um tamanho comum para a espécie, segundo o pesquisador Pablo Quadros, que é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Convivência privilegiada

Quadros, que também é médico veterinário,  contou não ser comum ver esse tipo de coruja com frequência. Isso porque, mesmo  não sendo uma espécie em extinção, o habitat dela não é a construção civil. Ela só usa esses espaços urbanos quando há recursos necessários para ela viver.
"Outra questão é que ela costuma fidelizar o local onde ela coloca os ovos, e tende a voltar no mesmo lugar onde construiu os ninhos anteriores", informou o biólogo e porta-voz do Conselho Regional de Biologia, Daniel Motta. Isso também explica o fato de a coruja já ter sido vista em anos anteriores e no mesmo período pelos moradores do prédio. Caso o local tenha condições para construir ninho, cuidar dos filhotes, seja um local alto e com boa temperatura e recursos alimentares, ela pode definir uma residência no meio dos seres humanos.
"Se puder deixar ela por já estar consolidada ali seria legal. Ter e conviver com essa coruja é um privilégio"
Paulo Quadros - Pesquisador e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da Ufes.

Em busca de alimentos

Apesar do que pensou Wellington, o animal não estava verificando o perigo ao entrar na casa, mas sim procurava alimentos. Eles se alimentam de roedores, insetos, peixes e outros animais. “Deve ser um desdobramento de caça, não parece ser defesa de território, e, por ser ambiente aberto, ele vê oportunidade de tentar encontrar comida”, falou o pesquisador.
Apesar da convivência aparentemente pacífica, o veterinário  alertou sobre os sinais de defesa. Quadros comentou que os movimentos de abrir as asas e mexer a cabeça significam "estou aqui, você fica aí e eu aqui".
Coruja visita imóvel de morador de Colatina
A coruja-da-igreja abre as asas e começa a fazer movimentos de pêndulos quando entra em sistema de defesa. Crédito: Wellington Borgui | Arquivo pessoal
Por isso, ao contrário da 'conversa' com o animal no vídeo do óleo derramado, ele não estava limpando o chão, mas sim tendo um comportamento agonístico. A atitude é uma reação à situação que considere alarmante para ele.
Quadros explicou que o animal não tem costume de atacar por ser um gasto excessivo de energia, mas é melhor não chegar mais perto para evitar problemas. O ideal é sempre chamar um órgão responsável — como a Polícia Ambiental ou o Ibama — para retirar a ave.

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