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Christian Nascimento
Sakura

A história por trás do Bosque das Cerejeiras de Pedra Azul, no ES

Com diversas árvores cobertas por flores em tons de rosa e lilás, o local virou point do Espírito Santo, atraindo milhares de visitantes

Larissa Avilez

Repórter

lavilez@redegazeta.com.br

Publicado em 04 de Agosto de 2021 às 19:10

Publicado em

04 ago 2021 às 19:10
Cerejeiras do Bosque Kaoru Kumazawa viram atração turística a cada inverno capixaba
Cerejeiras do Bosque Kaoru Kumazawa viram atração turística a cada inverno capixaba Crédito: Christian Nascimento
Domingos Martins, na região Serrana do Espírito Santo, é destino certo de turistas e capixabas quando as temperaturas caem, mas um ponto específico da região, em Pedra Azul, ganha destaque durante um curto período de tempo: o Bosque das Cerejeiras.
Com diversas árvores cobertas por flores em tons de rosa e lilás, o local virou point do Espírito Santo, atraindo milhares de visitantes. Mas você, que talvez até já tenha uma foto registrada lá, sabe a história por trás do lugar e o significado das cerejeiras? Para chegar às respostas, vamos voltar no tempo.
Cerejeiras floridas no bosque em Pedra Azul, durante o inverno de 2019
Cerejeiras floridas no bosque aos pés da Pedra Azul, durante o inverno de 2019 Crédito: Christian Nascimento
Antes das árvores colorirem o espaço, o terreno era uma área de pastagem, que até hoje pertence ao Instituto Erling Lorentzen. A plantação foi feita em 7 de setembro de 2008 — ano em que foi comemorado o centenário da imigração japonesa no Brasil. A ideia era deixar um legado e comemorar a data histórica.
Ao todo, são 74 cerejeiras de três espécies: 
  • Okinawa (Prunus Cerasóides Campanula) 
  • Himalaya (Prunus Cerasóides)
  • Yukiwari (Prunus Lannegiana)
É justamente na ordem acima que elas florescem, além de ser a sequência apreciada pelas pessoas, caso andem em linha reta, após a entrada no bosque.
Localizado em Domingos Martins, Bosque das Cerejeiras vira atração durante algumas semanas do inverno capixaba
Localizado em Domingos Martins, Bosque das Cerejeiras vira atração durante algumas semanas do inverno capixaba Crédito: Fabrício Yee
A espécie Himalaya, cujas flores costumam brotar no final de julho, é a que aparece em maior quantidade, com 40 exemplares. Por isso, a beleza que ela proporciona acaba sendo mais vistosa. Já a Okinawa floresce no final de junho e a Yukiwari no início de agosto. Os espetáculos duram cerca de duas semanas.
"Como o tempo de florada é muito lindo, mas muito pequeno, a cerejeira representa a vida como ela é: bonita e breve"
Yochimassa Fujihara - Conselheiro da Associação Nikkei de Vitória
Cada árvore recebeu o nome da família que fez o respectivo plantio. A maioria é de japoneses: Hashimoto, Isozaki, Nakamura, Kawasaki... Mas há algumas que prestaram homenagens a políticos da época, como o ex-governador Paulo Hartung, e a entidades como o Instituto Estadual de Meio-Ambiente (Iema).
Árvores do Bosque das Cerejeiras floriram na segunda quinzena de julho neste ano
Árvores do Bosque das Cerejeiras floriram na segunda quinzena de julho em 2021, atraindo centenas de pessoas por dia Crédito: Divulgação | Associação Nikkei de Vitória
Logo na entrada também se destacam dois exemplares de cerejeiras que "escapam" da comunidade nipônica: o pé batizado de Eliezer (Batista) e o outro de (Erling) Lorentzen – duas personalidades emblemáticas na história do Espírito Santo e essenciais para que o Bosque das Cerejeiras virasse realidade.
  • Eliezer Batista: ex-presidente da Vale e ex-ministro de Minas e Energia foi responsável por projetar o Porto de Tubarão, em Vitória, importante vetor da economia capixaba. Além de grande fã de Pedra Azul.
  • Erling Lorentzen: membro da família real norueguesa, ele comandou um pelotão contra os alemães na Segunda Guerra Mundial. Na década de 1960, ele foi o fundador da antiga Aracruz Celulose, no Norte do Estado.
"Por causa da exportação de minério, o Eliezer tinha uma relação e simpatia muito grande com o Japão. Foi por intermédio dele que chegamos ao Lorentzen, que foi muito simpático e receptivo, permitindo que fizéssemos o bosque no terreno dele", conta Yochimassa Fujihara, conselheiro da Associação Nikkei de Vitória.
Representante da comunidade japonesa no Espírito Santo, a Associação Nikkei de Vitória foi a responsável por tomar a iniciativa e buscar meios de concretizá-la. O distrito de Pedra Azul foi escolhido porque as cerejeiras só se desenvolvem em locais de maior altitude, em regiões de montanha. O acesso fácil ao local também contribuiu.

Sakura

de pronúncia "sakurá", é a palavra em japonês que significa cerejeira
"Quando essa ideia começou a se mostrar viável, encontramos um especialista em cerejeiras em São Paulo. O nome dele era (Shinichi) Oki. Contratamos ele para vir e dar todo o apoio. As mudas vieram de avião e pequenas, com, no máximo, um metro de altura", lembra Fujihara, sobre o desenvolvimento do projeto.
Apesar da logística e mão de obra interestadual, a concretização do bosque não gerou altas despesas. "Pagamos pela consultoria, que determinou o melhor lugar para a árvore ser plantada, e pelas mudas, que custaram de R$ 15 a R$ 20 cada. O resto do trabalho foi todo voluntário, incluindo a preparação do terreno", disse.
Nascido no Japão, o agrônomo Oki contava que existem mais de mil espécies de cerejeiras. "Essas três espécies que temos aqui são as que se adaptaram melhor ao Brasil, mas são vários tipos: com flores mais claras, mais escuras, mais 'encacheadas'... tem muita variedade", afirma Fujihara.
Cerejeiras floridas no bosque em Pedra Azul, durante o inverno de 2019
Cerejeiras floridas no bosque em Pedra Azul durante o inverno de 2019  Crédito: Christian Nascimento
No Japão, durante o período da florada das sakuras já centenárias, uma prática secular vem à tona: o hanami. O ato consiste em ver e, mais do que isso, apreciar as flores. "Eles fazem piquenique e visitação. É uma época festiva para os japoneses", revela o descendente.

Cadê as cerejas?

Pintangueira dá pitanga. Amoreira, amora. Então, cerejeira dá cereja, correto? Mais ou menos. De acordo com Fujihara essas pequenas frutas vermelhas chegam depois da florada, mas as três espécies plantadas em Domingos Martins, infelizmente, não geram frutos comestíveis.

"A Himalaya até dá fruto, mas ele só é bom para plantar e fazer novas mudas. Já as outras duas variedades, Okinawa e Yukiwari, não dão frutos. Para replantá-las, você pega um pedaço de galho e coloca na terra, até enraizar", explica o conselheiro da Associação Nikkei de Vitória.

Embora o nome oficial e atual não seja conhecido por muitos, o Bosque das Cerejeiras se chama, na verdade, "Bosque Kaoru Kumazawa" e é uma homenagem póstuma ao engenheiro civil, que era muito ativo e querido em Pedra Azul. Ele faleceu em 2011, ano em que o local recebeu o nome.
Cerejeiras floridas no bosque em Pedra Azul, durante o inverno de 2019
Nas cerejeiras rosas, símbolo do Japão, pousa um pássaro com as cores do Brasil Crédito: Christian Nascimento
Vice-presidente do Instituto Lorentzen, o agrônomo Edimar Binotti destaca que Kaoru foi uma espécie de padrinho do projeto. "Ele, junto ao Fujihara, o nosso guru, estava correndo atrás de uma área, e eu participei dessa busca para ter cerejeiras aqui no Estado. Era a paixão dele, por simbolizar a vida", relembra.

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