Ao longo dos últimos anos, o Espírito Santo tem avançado nos indicadores educacionais e se posiciona bem em avaliações externas, mas esse quadro favorável não elimina inúmeros desafios que ainda persistem. Do acesso à creche à conclusão do ensino médio, há problemas a serem corrigidos.
É o que revela um levantamento preparado pelo Todos pela Educação, que reúne dados dos Estados como um raio-x da educação básica. No Espírito Santo, destacam-se os bons resultados na alfabetização, no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e a expansão do tempo integral e do ensino técnico no nível médio. Ainda assim, desigualdades precisam ser superadas.
Entre os desafios pontuados pelo Todos pela Educação, está o baixo acesso à creche. No Espírito Santo, apenas 35% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas, índice menor do que a média nacional (39%) e distante da meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), que deveria ter sido alcançada até 2024.
Além disso, entre as matrículas em creche na rede pública, apenas 30% são em tempo integral, colocando o Espírito Santo na 21ª posição do ranking nacional nesse indicador.
Pedro Rodrigues, coordenador de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, observa que esse é um problema relacionado diretamente às redes municipais, responsáveis pela oferta na educação infantil. Mas diz que existem exemplos de parceria entre governos e prefeituras para ampliar as vagas para essa faixa etária, uma vez que a falta de recursos das administrações municipais costuma ser um obstáculo para a construção de creches.
"São ações feitas em todo o país em regime de colaboração para expansão das creches. Existem vários modelos possíveis, com o governo do Estado ou incentivo do governo federal, e que podem ser explorados", sugere Rodrigues.
O acesso também é um problema no ensino médio, assim como a conclusão desta etapa. A taxa bruta de matrícula, segundo o Todos pela Educação, é de 78%, abaixo do Sudeste (88%) e do Brasil (84%). Na outra ponta, apenas 70% dos jovens encerram o nível médio até os 19 anos — idade considerada ainda adequada, embora com a possibilidade de ter havido uma reprovação na trajetória educacional. Esse é um percentual inferior às médias regional (80%) e nacional (74%), deixando o Espírito Santo na 18ª posição do ranking no país.
Para Rodrigues, uma das estratégias, especialmente para os alunos terminarem os estudos no tempo certo, é construir políticas sob o guarda-chuva da recomposição de aprendizagem, como aulas de reforço com atendimento especializado na própria aula ou no contraturno.
"A gente sabe que é nesse acúmulo de não aprendizagens que pode se acabar em reprovação. Então, é preciso olhar para esses jovens que estão acumulando defasagens", recomenda.
O Espírito Santo também carrega a desigualdade como um fator de preocupação. No acesso à creche, a taxa varia de 35% entre os mais pobres para 65% entre os mais ricos. Já no ensino médio, apenas 50% dos jovens de menor renda concluem a etapa até os 19 anos, frente a 90% entre os que têm mais recurso financeiro. Portanto, na avaliação de Rodrigues, o foco da atuação dos educadores tem que ser direcionado aos mais vulneráveis.
Os destaques da educação no ES
O Todos pela Educação também relacionou os indicadores em que o Espírito Santo se destaca. Na alfabetização, por exemplo, o resultado está acima da média nacional: 77% de crianças por aqui são alfabetizadas até o 2º ano do ensino fundamental, enquanto no país o índice é de 66%. O Estado também atingiu a meta do Indicador Criança Alfabetizada, apresentou avanço de 9 pontos percentuais nos últimos dois anos e, hoje, ocupa a 4ª posição no ranking nacional.
Já no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o Espírito Santo estava entre os cinco melhores resultados do país em todas as etapas em 2023. O Estado ocupa a quinta posição nacional nos anos iniciais e nos anos finais do ensino fundamental, e o segundo lugar, no médio.
Além das primeiras colocações, o Todos observa que o Espírito Santo apresenta crescimento consistente no indicador ao longo da última década: entre 2013 e 2023, passou de 5,2 para 6,1 nos anos iniciais; de 3,9 para 5 nos anos finais; e de 3,4 para 4,7 no ensino médio.
Na avaliação da organização, o Espírito Santo também tornou o ensino médio mais atrativo para os jovens, com a expansão do tempo integral e da Educação Profissional e Tecnológica. Os dados, desse modo, apontam para uma agenda de diversificação da oferta no ensino médio, com potencial de contribuir para maior engajamento e permanência dos estudantes.
Pedro Rodrigues avalia que os bons indicadores do Espírito Santo são resultado de uma gestão preocupada com a aprendizagem dos alunos. "É algo importante a ser enfatizado. É um trabalho de continuidade, e que se baseia em um tripé pedagógico: avaliações estruturadas, material didático e formação profissional que leva em conta as avaliações e tudo alinhado ao currículo local. Quando a gestão olha para o pedagógico, pensando em como os alunos podem aprender mais, os resultados acabam sendo colhidos."
O que diz a Sedu