Entre palavras e ilustrações, as memórias sobre um período difícil vão parar nas páginas de livros. Dezesseis estudantes do 4° ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Adão Benezath, que fica em Antônio Honório, em Vitória, relembraram suas vivências durante a fase da pandemia do Covid-19 no projeto "Escrevendo minhas memórias".
O objetivo do projeto era resgatar as lembranças estudantis das crianças, além de permitir que relatassem como era a rotina dentro de casa no período que ficaram longe da escola. A saudade dos amigos e da escola marca as histórias dos livros, como eles mesmos relatam.
"Senti saudades das aulas, muito tédio ficar em casa, senti saudades dos professores. Aprendi que as vezes a gente acha que não vai fazer uma coisa interessante na vida e quando você menos espera, você faz um livro."
"Senti saudades dos meus amigos e do recreio, e não tive muitas dificuldades para estudar durante a pandemia. O livro foi muito importante para mim, queria falar para as pessoas sempre escolherem as melhores opções na vida."
"Não achei tão difícil de estudar durante a pandemia mas senti saudades de estudar na escola. Me senti alegre e aprendi muita coisa escrevendo o livro"
Além das saudades, a superação das dificuldades aparecem nos livros.
"As dificuldades que tive foi escrever e ler, porque eu era analfabeta. Com o livro aprendi que é muito importante escrever o que você sente através de histórias."
Os momentos de lazer também fazem parte das histórias. Assistir séries e filmes foram as principais atividades feitas pelos alunos durante o período de isolamento.
"Estudei, brinquei, dormi, assisti filme e senti falta dos meus amigos."
"Eu assisti filmes, fiz muitas receitas e também passei mais tempo com minha família. Me senti feliz escrevendo o livro, foi especial escrever esse livro porque todo mundo vai poder ler."
Desenvolvimento do projeto
“Escrevendo minhas memórias” foi desenvolvido com a ajuda da professora Tânia Rautha, da bibliotecária Mariluce de Souza e da professora de informática Daniella Bertazzo. Elas contaram com o apoio da pedagoga Bárbara Coelho e do diretor da escola, José Honor. Os alunos seguiram um cronograma de produção e, em dois meses, os livros estavam prontos.
A bibliotecária conta que o livro Felpo Filva, de Eva Furnari, serviu como base para a produção das crianças. Livro que traz vários gêneros textuais, como fábula, receitas, bula e contos. "A escola tem esse papel de trazer possibilidades e dar o pontapé inicial. Então esse foi o início para que, daqui pra frente, eles possam construir a própria história deles”, complementa Mariluce.
Em relação às questões pedagógicas, o trabalho exercitou a escrita dos alunos. “Depois da pandemia a gente viu a necessidade de trabalhar a escrita dos alunos por causa da defasagem. Os alunos têm um caderno de produção de texto que a gente vai trabalhando semanalmente, uma oportunidade deles colocarem em prática tudo aquilo que eles aprendem em sala”, explica a professora Tânia.
“A importância desse projeto no começo de tudo é mostrar que eles são capazes, tanto de escrever e produzir, e também de trazer de dentro deles mesmos o que eles precisam expressar pra fora. Escrever um livro nada mais é que a expressão deles", conta a pedagoga.
“Os alunos fizeram uma produção muito interessante, vai deixar um legado para a biblioteca para que outros alunos possam estar lendo e se inspirando com esse trabalho”, afirma o diretor da escola, José Honor, orgulhoso do trabalho realizado pelos professores e estudantes.