A exigência do comprovante de vacinação contra a Covid-19, o chamado passaporte da vacina, para acesso a bares, restaurantes, academias e eventos, tem provocado uma verdadeira corrida pela imunização no Espírito Santo.
Desde que passou a ser obrigatório apresentar o documentos nestes locais, no dia 31 de janeiro, aumentou em 197% a procura pela primeira dose da vacina contra a doença, segundo informações do secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes. A exigência do comprovante vale independente do risco em que a cidade está classificada no Mapa de Risco, cumprindo portaria estadual.
Após exigência de passaporte da vacina, busca por primeira dose cresce 197 por cento no ES
Na avaliação do secretário, a procura pela vacina estava "muito baixa", mas foi percebido um aumento na demanda nas duas últimas semanas, o que, segundo Nésio, é um efeito da exigência do documento. Ele explicou que a busca pela segunda e terceira doses também cresceu.
"A ideia da exigência [do documento] é justamente essa, de estimular que a população procure a vacina. Primeiras, segundas e terceiras doses. Vacinação em massa é uma estratégia complexa, que exige uma capacidade de oferta permanente e uma disciplina e coesão social das pessoas. A exigência constitui uma medida sanitária importante"
O secretário lembrou que em um estudo de redução de risco, é necessário reconhecer que comunidades plenamente vacinadas têm menos risco de mortes e internações. Lembrou ainda que as vacinas aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são eficazes na redução das chances de internações e quadros graves, atuando diretamente na diminuição das mortes.
O passaporte de vacina é individual, não podendo ser transferido de uma pessoa para outra. No documento consta a quantidade de doses recebida por cada cidadão. Há ainda a possibilidade de verificar atraso no recebimento de doses, o que pode comprometer a saúde pública e a entrada em estabelecimentos como bares e restaurantes.
O documento é exigido no Espírito Santo desde o dia 31 de janeiro. Não importa se o bar, restaurante ou academia esteja em cidade classificada em risco moderado ou baixo, é necessário pedir o documento na entrada do estabelecimento.
POPULAÇÃO DEVE COMBATER FAKE NEWS, SEGUNDO SECRETÁRIO
Apesar dos resultados, algumas cidades do Estado tem se movimentado para proibir a exigência do passaporte da vacina. É o caso de Vitória e Colatina, onde os vereadores aprovaram a proibição. Os projetos, porém, ainda precisam ser sancionados pelos prefeitos das duas cidades para terem validade. Na Serra também tramita um projeto do gênero.
Sem citar qualquer um dos municípios, Nésio Fernandes afirmou ser importante que a população atue no combate à desinformação, que procura desqualificar a exigência do passaporte vacinal. Na opinião do secretário, essas legislações "provavelmente serão derrubadas" se forem promulgadas.
"As legislações aprovadas em câmaras de vereadores não possuem fundamentação constitucional, não possuem amparo em decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal. Elas serão todas possivelmente derrubadas pela Justiça assim que forem promulgadas. E nenhuma delas tem vigência. Ainda vale a portaria do governo estadual, que pede a apresentação do passaporte. Por isso a população deve preservar a disciplina"
Desde janeiro de 2021, o Espírito Santo já aplicou mais de 7,4 milhões de doses de vacinas contra a Covid para pessoas acima dos cinco anos. De diferentes idades e com diferentes vacinas disponíveis, o Estado contabiliza 72% da população totalmente imunizada, o que corresponde a quase 3 milhões de pessoas. Mais de 1,2 milhão já tomaram a terceira dose.