Uma das atuações previstas para o novo Batalhão de Missões Especiais (BME) – resgatado como batalhão nessa quarta-feira (11) pelo governo do Estado – será o policiamento tático motorizado e até mesmo a pé em áreas de alto risco e elevado índice de criminalidade. Regiões que estão sob a influência do tráfico de drogas. A informação é do secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho.
“Fará patrulhamento nos morros, em áreas de alto risco, bairros de maior vulnerabilidade. Vai atuar com planejamento, com informações fornecidas pela inteligência da polícia, em horários específicos, fazendo abordagens, e na busca de marginais”, explicou.
BME - entenda como vai atuar a tropa de elite da Polícia Militar do ES
A tropa especializada foi rebaixada a Companhia Independente de Missões Especiais (Cimesp) em 2017, após a greve dos militares. Um dos argumentos do governo, na época, foi o de que a maior parte dos que atuavam no batalhão aderiu ao movimento paredista. E ainda o de que uma tropa especializada precisava ser menor, para garantir treinamento mais frequente.
Mas na quarta-feira (11) voltou a ser resgatada como Batalhão de Missões Especiais (BME), pelo governador Renato Casagrande, em uma de suas promessas de campanha. Medida anunciada junto a outras de reestruturação das forças de segurança, e que ocorre no momento em que o Espírito Santo registra aumento na criminalidade.
Ramalho, que comandou o BME durante muitos anos, avalia que a marca do batalhão ainda é forte na comunidade. “É uma tropa que tem um passado de operações bem-sucedidas em inúmeras ocorrências de sucesso, com prisões de traficantes e homicidas, apreensões de drogas e armas, e que causa temor na criminalidade, que tem medo de ser preso ou trocar tiros com estas equipes”, destacou.
SOLUÇÃO ESTÁ NO POLICIAMENTO DOS BAIRROS E CIDADES
Mas na avaliação de José Vicente da Silva Filho, coronel da reserva da PM de São Paulo, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública e professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da PM paulista, as tropas especializadas não são a solução para os problemas do cotidiano da cidade.
“A força da segurança pública não está nas tropas especiais, mas nos batalhões territoriais, compromissados com o cotidiano da cidade. A tropa especializada não sabe o que acontece no local, no dia a dia das comunidades, do comércio, das ruas. Quem controla a violência é o batalhão local”, destaca o coronel José Vicente.
Ele relata que, em todo o país, não só nas polícias militares, mas até nas polícias civis e guardas municipais, tem aumentado a criação de equipes especializadas. “Dependendo da situação, pode ser conveniente, mas tem que estar atrelado à demanda, para não sacrificar o policiamento rotineiro. Uma solução adotada em alguns estados é lançar mão de equipes especializadas dentro dos próprios batalhões”, explica.
ATUAÇÃO DA TROPA NO ES
Segundo Ramalho, com a volta do BME será possível aumentar a sua capilaridade (atuação) em várias áreas. De acordo com os estudos realizados pela Polícia Militar, ele vai ser formado por duas companhias. São elas:
A Companhia de Polícia de Choque, que será composta por quatro pelotões, com as seguintes atuações:
- Controle de distúrbios civis
- Controle de rebelião em estabelecimento prisional
- Controle de multidão em praças desportivas e eventos culturais
- Reintegrações de posse
- Calamidades públicas
- Gerenciamento de crises envolvendo reféns e pessoas com ideação suicida armadas
- Policiamento tático motorizado em áreas de alto risco e outras missões designadas pelo Comando Geral da PMES
Terá ainda a Companhia de Operações Especiais, com quatro pelotões:
- Gerenciamento de crises envolvendo reféns e pessoas com ideação suicidas armadas, implementando as alternativas táticas da negociação, utilização de instrumentos de menor potencial ofensivo, tiro de comprometimento e entrada tática
- Patrulhas a pé em áreas de alto risco
- Remoção e destruição de artefatos explosivos improvisados
- Patrulhas rurais
- Controle de rebelião em estabelecimento prisional
- Ações antiterroristas
210 PMs
Total de policiais que atuam hoje na Cimesp
EQUIPE QUE ATUARÁ NA TROPA
Ramalho explica que, com a mudança, o novo BME será comandado por um tenente-coronel e dois majores. “À frente da tropa estará uma pessoa com mais experiência. Um batalhão pode chegar a cerca de 500 policiais”, pontua.
Vai herdar os atuais militares da Companhia de Missões Especiais (Cimesp), que segundo o site da PMES, conta atualmente com cerca de 210 policiais. “Não começará com um número ideal porque todos os batalhões têm um deficit de efetivo. A equipe será montada gradativamente, até com policiais da reserva”, explica.
O ingresso de novos policiais na tropa será voluntário. “Os que desejarem vão poder se inscrever. Vão ser selecionados diante de um protocolo interno, passam por entrevista com os oficiais, sua ficha técnica é analisada, assim como seus interesses pessoais, passa por treinamento até ir para a rua”, conta Ramalho.
DIFERENÇA NA ATUAÇÃO EM RELAÇÃO AOS DEMAIS POLICIAIS
De acordo com o secretário de Segurança, a tropa especializada é necessária para as ações que fogem da rotina, como os distúrbios civis, casos envolvendo reféns, manifestações, atuações em presídios.
“São ações que demandam um treinamento específico, fora da rotina da patrulha. O BME não faz o atendimento do 190. O atendimento diário da população é feito pelas demais equipes”, explica.
QUEM PODE ACIONAR O BME
O comandante da PM, a direção do Ciodes ou de outros batalhões. “Ele será acionado em situações de crises que podem chegar pelo 190, mas será feita uma análise, que é direcionada para o BME”, explica Ramalho.
ONDE SERÁ A SUA SEDE
Permanecerá na atual sede da Cimesp, em Jardim América, Cariacica.
ARMAS E ROUPAS ESPECIAIS
Vai trabalhar com viaturas camufladas - que podem transportar até 4 policiais, utiliza submetralhadoras, fuzis, equipamento e munição diferenciada. Conta com atirador de elite, e possui especialistas em bombas e equipamentos como raio x, escudos para rebeliões, entre outros. Utilizam uma roupa diferente do restante da tropa da PM.