Dois médicos com registros em São Paulo, Minas Gerais e Pará estão sendo investigados pelos Conselhos Regionais de Medicina de seus respectivos estados por declarações sobre o câncer de mama. As informações passadas pelos profissionais em suas redes sociais foram classificadas como fake news pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Em vídeos publicados nas redes sociais, durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre a doença, a médica Lana Almeida, do Pará, chegou a afirmar que o câncer de mama não existe. Já Lucas Ferreira Mattos, com registro em São Paulo e Minas, disse em rede social em mamografia causa câncer de mama.
Diante das informações publicadas pelos profissionais, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) se manifestou dizendo que em pleno Outubro Rosa, "quando o tratamento e a prevenção do câncer de mama deveriam ser o foco principal de atenção, temos visto com tristeza o surgimento de postagens que afirmam absurdos".
Comunicado assinado pelos médicos Augusto Tufi Hassan, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia e Guilherme Novita, diretor-geral da Escola Brasileira de Mastologia, desmente afirmações feitas pelos profissionais investigados.
Câncer de mama: 3 explicações que derrubam mentiras espalhadas por médicos
Já o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) esclarece que a realização de exames de mamografia é fundamental para a detecção precoce de alterações mamárias, aumentando as chances de tratamento bem sucedido e reduzindo a necessidade de intervenções invasivas.
O que a SBM diz sobre as afirmações
- A mentira: "Câncer de mama não existe"
- O que diz a SBM: que o câncer de mama é a principal neoplasia maligna entre as mulheres brasileiras, sendo responsável por mais de 70.000 novos casos ao ano em nosso país. Menosprezar esta doença é um desrespeito às milhares de vítimas e suas famílias, além de poder causar tratamentos inadequados em mulheres que acabaram de descobrir a doença.
- A mentira: "A mamografia causa câncer de mama"
- O que diz a SBM: A mamografia é a principal forma de prevenção de mortes pela doença. O diagnóstico precoce, obtido pela mamografia, permite a descoberta do câncer em estágios menores, quando as chances de cura são maiores e os tratamentos menos agressivos. Estudos comparativos realizados em países europeus e norte-americanos demonstraram que a realização de mamografia anual em mulheres entre os 40 e 75 anos reduz em 20% a 30% a mortalidade do câncer de mama em comparação com mulheres que não realizaram o exame.
- O que diz o CBR: A mamografia é um exame seguro e eficaz, que deve ser realizado segundo protocolos estabelecidos pelas maiores entidades médicas do mundo e sob a supervisão de médicos, sobretudo os especialistas em radiologia e diagnóstico por imagem.
- A mentira: "Câncer de mama pode ser tratado com o uso de hormônios"
- O que diz a SBM: O uso de hormônios sexuais (estrógeno, progesterona e testosterona) é contraindicado em casos de câncer de mama, pois estimula o crescimento de células tumorais. Inúmeras publicações científicas mostram este efeito e a piora na evolução da doença. Inclusive, a terapia de alguns casos de câncer de mama é feita através de bloqueio destes hormônios, com resultados comprovados na diminuição da mortalidade.
Ainda na nota, a SBM ressaltou que tratamento do câncer de mama teve inúmeros avanços nos últimos anos e que os casos iniciais da doença têm taxas de cura superiores a 95%, utilizando cirurgias que preservam a mama e muitas vezes sem necessidade de quimioterapia.
"Apesar de todos estes enormes avanços, muitas pessoas ainda têm a visão antiga da doença, que era geralmente mortal e necessitava de tratamentos agressivos como mastectomia e quimioterapia. O desconhecimento dos avanços da medicina cria campo fértil para a atuação destas pessoas mal-intencionadas, que visam desinformar para obter lucros pessoais", afirmam os médicos.
O Inca também se posicionou contra a desinformação divulgada pelos médicos, salientando que o câncer de mama é uma doença real e comprovada cientificamente, sendo um dos tipos de câncer mais comuns entre mulheres no Brasil e no mundo.
"Diagnósticos e tratamentos precoces são fundamentais para reduzir a mortalidade pela doença, assim como são de suma importância os exames de rastreamento, como a mamografia, e campanhas de conscientização como o Outubro Rosa", diz trecho da nota.
O Instituto acrescentou que "a desinformação sobre a inexistência do câncer de mama não tem respaldo científico e prejudica a saúde pública, colocando vidas em risco ao desencorajar exames preventivos e tratamentos essenciais".