Se você já brigou por um motivo bobo, como qual filme assistir ou o que comer, sabe o quanto a habilidade de chegar a um acordo com outra pessoa é importante. E um capixaba, de 19 anos, pode se sentir um mestre nessa "arte", pois acaba de vencer uma competição que lhe deu o título de um dos melhores negociadores do Brasil. Filipe Araújo Pedra, que é estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP), conquistou o primeiro lugar no VII Meeting de Negociação, realizado em Londrina (PR), entre os dias 1º e 5 de maio. Além do título principal, ele recebeu o prêmio Destaque de Melhor Negociador.
E não para por aí. Um dos prêmios da competição é um curso de negociação em uma das universidades mais famosas do mundo, Harvard, nos Estados Unidos. O evento vencido pelo estudante capixaba é reconhecido como a principal competição de negociação direta do país – ou seja, aquelas negociações feitas sem um mediador.
Universitários de todo o Brasil se enfrentaram em desafios que simulavam situações reais de negociação empresarial. Com foco no agronegócio, os participantes tiveram que demonstrar expertise em lidar com casos complexos que exigiam tanto habilidades estratégicas quanto conhecimento prático da área.
Filipe conta que foi à competição com apenas um colega e precisou enfrentar universidades renomadas, que levavam grandes equipes, com vários participantes para dividirem os casos a serem estudados. Assim, a dupla do capixaba teve de estudar e dominar várias situações diferentes. Mesmo assim, saiu vitoriosa.
Insights de um bom negociador
Para Filipe, um bom negociador precisa ter escuta ativa. Isso quer dizer que não basta apenas se dispor a ouvir o que o outro lado tem a dizer. É preciso também demonstrar interesse em uma solução que resolva os problemas apresentados do outro lado da mesa de negociação.
"Não basta só escutar. É preciso entender qual é a preocupação por trás do que está sendo verbalizado. Assim, o negociador pode chegar a soluções criativas"
"Dando um exemplo anedótico, vamos supor que eu quero fazer um suco de laranja e você quer fazer um bolo de laranja. Nós estamos brigando pela mesma laranja. Mas, se você para e escuta a outra parte para procurar saber qual é a preocupação por trás daquela posição, você vê que ela não precisa da laranja toda. Cada um pode usar uma parte", exemplifica Filipe.
Ainda de acordo com o estudante, quando escuta de forma ativa o que o outro lado carrega enquanto a preocupação por trás daquilo é verbalizado, o negociador consegue chegar a propostas e soluções criativas que atendam ambas as partes.
Futuro nas negociações
Quando questionado sobre seus planos para o futuro, Filipe revela que tem, sim, interesse em explorar as negociações como carreira. Ele conta que, desde o começo do curso, tem despertado interesse em trabalhar no mundo corporativo, mais até do que carreiras mais tradicionais do Direito ligadas ao Poder Judiciário.
"Eu me vejo mais em um contexto corporativo. Até advogados costumam subir na carreira e ir para esse ambiente de negócios. Mas eu ainda sou novo. Estou no 3º período e tenho 19 anos. Mesmo se, no futuro, eu decidir por carreiras mais tradicionais, a negociação ainda será um diferencial", afirma.
Além da vitória no Meeting de Negociação, Filipe ganhou um curso na prestigiada Universidade de Harvard e conquistou a oportunidade de representar o Brasil na International Negotiation Competition, etapa internacional da competição de negociação. A disputa acontece em um país diferente a cada ano. Em 2024, vai ser realizada no Brasil, em Manaus, capital do Amazonas.
Lembra do Filipe?
Não é a primeira vez que Filipe Pedra aparece por aqui. Em janeiro do ano passado, outra conquista do jovem foi notícia em A Gazeta: ele foi aprovado em um dos vestibulares mais concorridos do país, para o curso de Direito na USP em segundo lugar, em uma corrida com mais de 8 mil candidatos.
Na época, ele contou que não recorreu a cursinho pré-vestibular, mas sim a conteúdo disponibilizado gratuitamente na internet para estudar. “Eu tinha confiança pois me preparei. Mas em nenhum momento pensei que poderia ser em segundo lugar. Sabia que se tratava de um vestibular muito difícil. Tinha incertezas", disse ele, no início do ano passado.