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"Sensação de luto"

Casal de influenciadores do ES desiste de ir à Itália após nova regra de cidadania

Mariana Oliveira e Diego Fortes iriam viajar neste domingo (30) para buscar a cidadania e relataram nas redes sociais a frustração de não ver o sonho realizado devido ao novo decreto italiano

Publicado em 29 de Março de 2025 às 19:17

Vinicius Zagoto

Publicado em 

29 mar 2025 às 19:17
novo decreto da Itália que restringe o acesso à cidadania italiana por direito de sangue de quem nasceu fora do país fez um casal de influenciadores capixabas desistir de viajar ao país a dois dias do embarque — as passagens estavam marcadas para este domingo (30). Mariana Oliveira e Diego Fortes chegaram a voltar a morar com os pais para bancar o sonho e relataram a frustração em um vídeo no TikTok que já passa das 300 mil visualizações neste sábado (29). "Sensação de luto", lamentaram.
Com a mudança, apenas pessoas com pelo menos um dos pais ou um dos avós nascidos na Itália podem se tornar cidadãos do país. Anteriormente, não havia limite geracional e, caso a pessoa interessada em obter a documentação conseguisse comprovar um vínculo com alguém nascido na Itália após março de 1861, quando o Reino da Itália foi criado, tinha a cidadania concedida.
"Faltando dois dias para a gente viver a maior aventura das nossas vidas até aqui, embarcar pela primeira vez para fora do país numa viagem de avião, reconhecer a cidadania italiana do Diegão, mudança de planos", disse Mariana no vídeo publicado na sexta (28). "Na verdade, não é nem mudança, é aborte os planos", completou Diego.
Em outubro do ano passado, o casal contou em outro vídeo publicado no TikTok que havia desistido de morar sozinho em um novo apartamento e decidiu voltar a morar com os pais de Diego, para economizar recursos pensando na viagem. "A gente vai para a Itália reconhecer a cidadania do Diegão e a gente não sabe quando volta", contaram entusiasmados na época.
No caso do casal capixaba, Diego havia ingressado com o pedido de cidadania com base no vínculo dele com um trisavô. "A assessoria ligou hoje (sexta) para a gente e falou 'não vem'. Eles até falaram 'se você até quiser vir para conhecer, turistar, e a gente vê aqui se consegue algo, porque como é um decreto e não uma lei, pode ter alguma brecha', mas não podemos brincar com isso", contou o casal.
Mariana e Diego contaram que estão há quatro meses planejando a viagem e que inclusive se casaram no cartório pensando na ida para a Itália. "É luto, é uma sensação de luto, você fica meio sem chão. Estamos bem frustrados, bem chateados."

Casal pocou nas redes sociais com viral

Mariana e Diego têm mais de 800 mil seguidores no TikTok. Em maio de 2023, o casal virou um dos assuntos mais falados das redes sociais por conta de uma pegadinha em que ela fez com ele, falando que iria terminar o relacionamento de sete anos. 
Na época, o casal contou ao HZ que já investia na produção de vídeos para a internet havia dois anos e que vídeos como esse eram comuns entre eles. O assunto término, porém, nunca tinha entrado na brincadeira e assustou realmente Diego. Por isso, a reação do rapaz, que responde “eu mudo”, quando a noiva diz que está cansada do jeito dele, surpreendeu até mesmo Mariana e mexeu com os internautas.

Entenda o novo decreto

O vice-premiê italiano, Antonio Tajani, anunciou na sexta-feira (28) novas regras que restringem o acesso à cidadania italiana por direito de sangue de quem nasceu fora da Itália. A partir de agora, para esses casos, só será reconhecida a cidadania do descendente que for filho ou neto de um cidadão nascido na Itália.
As regras valem para novos pedidos, apresentados de 0h de sexta-feira (28), no horário italiano. A reforma faz parte de um decreto-lei, aprovado pelos ministros do governo. Nada muda para quem já tem o passaporte italiano.
O principal impacto deverá ser sobre descendentes que moram no Brasil e na Argentina, que receberam milhões de italianos emigrados a partir do fim do século 19. Só no Brasil, um contingente de 1,4 milhão chegou de 1870 a 1920. Estima-se que hoje existam 30 milhões de descendentes no país, além de mais de 800 mil cidadãos italianos (expatriados ou com dupla cidadania).
Tajani justificou a decisão com base na reclamação, crescente nos últimos anos, de tribunais de Justiça e prefeituras italianas, principalmente de pequenos municípios, que se dizem sobrecarregados pelo volume de pedidos, especialmente aqueles apresentados por via judicial, em que o autor não precisa morar na Itália.

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