Neste sábado, 15 de abril, completa-se um ano da
morte da modelo Luísa Lopes, atropelada na Avenida Dante Michelini, em
Vitória, pela corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira, que havia bebido antes de dirigir. Desde então, a motorista foi proibida pela Justiça de dirigir e não teve a prisão pedida, nem se sentou ainda no banco dos réus.
A Justiça acatou a denúncia oferecida pelo
Ministério Público do Espírito Santo em dezembro de 2022. Na ocasião, o MPES denunciou Adriana por homicídio doloso – quando há a intenção de matar – com a capacidade psicomotora alterada, pedindo que ela fosse proibida de dirigir. O órgão justificou que a liberdade da corretora não oferece riscos à sociedade, solicitou que ela não fosse presa preventivamente.
Na denúncia, o Ministério Público fez uma solicitação à Justiça para a acusada ir a júri popular. O pedido foi aceito pela juíza Lívia Regina Savergnini Bissoli Lage, mas a audiência de instrução, que antecede essa etapa, ainda não foi marcada.
Depois que a Justiça aceita a denúncia do Ministério Público, a próxima etapa é a audiência de instrução. Nessa oportunidade, o juiz interroga o réu e ouve as testemunhas da acusação e a defesa.
Se o magistrado decidir pela pronúncia do réu, admite a acusação feita e encaminha o processo para julgamento pelo Tribunal do Júri. O advogado Marcos Vinicius Sá, que defende a família de Luísa Lopes, declarou para A Gazeta que a ré já foi citada e apresentou a defesa. Assim, a audiência pode ser designada a qualquer momento.
"Luisa era filha única, e os pais estão desolados com a perda dela. A família aguarda a responsabilização de Adriana, que de forma irresponsável consumiu bebida alcoólica na condução do veículo automotor, fora as falas dela logo após o fato”, manifestou o advogado.
O advogado afirmou ainda que o processo segue o rito normal e que a defesa aguarda a audiência de instrução ser marcada. A reportagem de A Gazeta procurou o TJES, para saber se já há data e recebeu como resposta a explicação de que, por enquanto, não existem novas informações no andamento processual.
A defesa de Adriana e o MPES também foram procuradas pela reportagem, mas, até a publicação desta matéria, ainda não haviam se posicionado.
Os amigos e familiares de Luísa Lopes marcaram um ato em memória da modelo, um ano após a morte dela. A manifestação está marcada para ocorrer na frente do Clube dos Oficiais, na Avenida Dante Michelini, em Jardim da Penha, onde ocorreu o atropelamento.
As investigações da Polícia Civil concluíram que Adriana ingeriu bebidas alcoólicas antes de dirigir. A polícia buscou imagens de dois bares por onde Adriana passou (veja abaixo).
Ficou comprovado que a corretora
consumiu copos de cerveja e doses de vodca com uma familiar. Primeiro, por volta das 17h, ela parou em um bar em Jardim Camburi, onde ficou por 45 minutos. No local, consumiu dois caranguejos e alegou para a polícia ter consumido água. No entanto, a comanda do bar mostra dois caranguejos e duas cervejas de marcas diferentes, e não água.
Depois, foi para um bar no Triângulo das Bermudas, na Praia do Canto, onde ficou por 1h40. Câmeras de segurança do bar do Triângulo mostraram Adriana pegando uma garrafa de cerveja. É possível ainda ver que ela coloca a cerveja no copo dela e consome. Ao todo, segundo a polícia, ela levou o copo à boca durante 23 vezes.
Posteriormente, ainda de acordo com a polícia, ela fez ingestão de outra bebida, vodca. A comanda mostra que a vodca foi paga por um indivíduo da mesa ao lado de Adriana. A análise mostrou que a Adriana levou o copo de vodca 20 vezes à boca em 1h22. O homem que serve a vodca levou, pelo menos, quatro copos da bebida para a condutora do veículo. Segundo o delegado, tanto o individuo oferece, como ela pede mais a ele. O último copo foi servido cerca de 10 minutos antes do atropelamento ocorrer na Avenida Dante Michelini.