O ex-policial civil Hilário Frasson foi excluído do quadro de integrantes da Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo, com sede em Bento Ferreira. Ele foi condenado, com outras cinco pessoas, pelo assassinato da ex-mulher, a médica Milena Gottardi, 38 anos. O crime aconteceu no dia 14 de setembro de 2017.
Hilário é expulso da maçonaria após condenação
O documento da maçonaria é datado do dia 8 de setembro, nove dias após o fim do julgamento. No ato 052 GM/2021, assinado pelo grão-mestre Walter Alves Noronha, é dito: “Excluir da Ordem o M.I. Hilário Antonio Fiorot Frasson, cad. 4.283, membro do quadro de obreiros da A.R. L. S. Experiência e Sabedoria n°47”.
Nos dois artigos seguintes é determinado que a “Grande Secretaria de Relações Interiores proceda à baixa no rol de obreiros da ordem”. O grão-mestre ainda incumbe o secretário desta pasta de “registrar e dar publicidade ao presente ato, que entrará em vigor na presente data”.
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Ato de exclusão de Hilário Frasson da maçonaria
Documento assinado pelo grão-mestre Walter Alves Noronha, da Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo, com sede em Bento Ferreira, no dia 8 de setembro de 2021
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MOTIVOS PARA A EXCLUSÃO DA MAÇONARIA
O texto do documento começa lembrando atos anteriores em que houve a suspensão dos direitos maçônicos de Hilário em setembro e dezembro de 2017. Na sequência é informado sobre detalhes da sentença de condenação emitida em 30 de agosto, quando Hilário foi julgado e condenado pela Primeira Vara Criminal de Vitória a 30 anos de prisão pelo assassinato da médica Milena Gottardi.
É dito também que, segundo a sentença proferida pelo juiz Marcos Pereira Sanches, Hilário foi o principal responsável pelo crime. “Além disso, segundo o magistrado, ele era um agente da lei e, dessa forma, deveria combater o crime e não praticá-lo, destacando ainda que o acusado era influente entre pessoas poderosas e fazia ‘negociações espúrias’. Disse ainda que Hilário possui ‘personalidade desajustada, sem compaixão com a vida da sua própria esposa e mãe de suas filhas’”, destaca o texto.
No ato de exclusão é explicado que “a maçonaria prega o firme fundamento segundo o qual o matrimônio é consequência de uma reciprocidade de amor e respeito e tem por resultado a formação de uma grande família universal, alcançada por afetos dos maçons que vivem para a moralidade, buscando sempre aperfeiçoar de modo absoluto o matrimônio consagrado pela Lei, porque o eleva com seus ensinamentos”
Destaca ainda os ensinamentos da Ordem: “Considerando que o ensinamento da moral que pregamos ao regular os deveres que temos para os nossos semelhantes e para com nós mesmos, impõe os que temos para com a esposa e a família, e o que impõe à personalidade de esposo e pai”. E acrescenta que Hilário infringiu regras do Código de Processo disciplinar:
"Considerando ser conduta reprovável na ordem atos que atentam contra a moral maçônica, contra os usos e costumes da maçonaria universal ou que der causa a escândalo público e, de forma especial, aqueles praticados contra a família"
EM 2017 HILÁRIO FOI SUSPENSO DA LOJA MAÇÔNICA
Em 2017, logo após o crime e as investigações da polícia apontarem a participação de Hilário como mandante, a Grande Loja suspendeu temporariamente os direitos do ex-marido da vítima.
Na ocasião, em uma circular a que A Gazeta teve acesso, foi informado pela Grande Loja: “Todo maçom deve primar pelo bom nome da Ordem, conservando-se cidadão honesto e nunca atentar contra a honra de ninguém, principalmente de seus familiares, zelando sempre pelo mais rigoroso respeito aos princípios e ensinamentos da maçonaria, não podendo em momento algum manchar suas mãos nas impurezas do crime”.
O mesmo documento adiantava que, caso Hilário fosse condenado pelo assassinato, ele seria excluído da loja maçônica.
A defesa de Hilário não se manifestou sobre a expulsão por se tratar de assuntos de âmbito pessoal do ex-policial.
CRIME E JULGAMENTO
O crime aconteceu no dia 14 de setembro de 2017. Milena, de 38 anos, foi baleada no estacionamento do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam), em Vitória. Ela tinha acabado de sair do trabalho e estava acompanhada de uma amiga quando foi surpreendida por um homem que simulou um assalto. A morte foi declarada no dia seguinte.
Seis pessoas foram julgadas pelo crime, incluindo o ex-marido da vítima. A condenação dos acusados foi anunciada após oito dias de júri popular, em um dos mais longos julgamentos do Estado.