O acesso à tecnologia hoje, para a maioria, se resume ao uso do celular ou do computador pessoal e às suas variadas possibilidades de navegação. Mas os avanços tecnológicos estão criando oportunidades que vão muito além de um deslizar de telas e cliques. A nova geração de computadores poderá ajudar no tratamento e até na cura de doenças que, atualmente, não têm perspectiva de terapia.
São os chamados computadores quânticos que, em até 10 anos, estarão disseminados. Seus impactos vão se refletir, entre outras áreas, na saúde, segundo aponta o engenheiro Maxwell Eduardo Monteiro, doutor em Engenharia Elétrica e professor do
Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
Ele diz que o uso sistematizado da nova tecnologia vai propiciar uma medicina personalizada, em que um paciente poderá contar com medicamentos e procedimentos específicos para ele, a partir de seu DNA e do acúmulo de informação sobre todos os pacientes no mundo que tenham passado por situação semelhante.
Questionado sobre a possibilidade de contribuir para a cura ou tratamento de doenças hoje ainda não descobertos, o professor Maxwell ressalta que, uma das principais aplicações da computação quântica é a descoberta de novos remédios e a simulação da interação dessas moléculas com células e organismos.
"Esse é o caminho para a descoberta de novos tratamentos e quem sabe até a cura de muitas doenças que hoje não são curáveis", estima o professor.
Ainda nessa área, Maxwell prevê que, com os computadores quânticos, se o sistema de saúde puder ser mais assertivo quanto ao tratamento de cada indivíduo, isto é, tiver mais dados e elementos reunidos pela tecnologia para melhor direcionar os cuidados com o paciente, haverá, por exemplo, redução do tempo de utilização dos recursos terapêuticos e, consequentemente, dos custos dessa intervenção, aumentando a eficiência do sistema de saúde.
Mas a saúde não é a única área que será impactada; a segurança também é um segmento em que será necessário investir recursos para a proteção de pessoas, empresas e governos. Isso porque o modelo atual de codificação para preservação de dados e informações poderá ser facilmente derrubado.
Nem mesmo senhas criptografadas estarão imunes de eventuais ataques a partir do momento em que a computação quântica estiver difundida.
Atualmente, afirma o professor, já existem algoritmos de criptografia quântica resistentes às tentativas de quebra da codificação. Mas, segundo Maxwell, a adoção massiva desse novo sistema de proteção vai depender do sistema bancário mundial, assim como dos governos, quando entenderem que o risco de continuar com a criptografia atual é maior que o custo da troca.
Sobre a oferta de computadores quânticos para o usuário comum, o professor conta que já estão disponíveis e podem ser utilizados por qualquer pessoa. Entretanto, ele avalia ser pouco provável que um indivíduo no seu dia a dia tenha necessidade de tamanho poder computacional.
Mas, ao passo que um cidadão no seu cotidiano não vai precisar de tecnologia tão avançada, os países devem ter outra visão se não quiserem se tornar alvos de ataques cibernéticos. Maxwell revela que o Brasil ainda não incluiu a computação quântica em suas áreas prioritárias de Ciência e Tecnologia.
"Seria necessário criar um programa de educação, pesquisa e desenvolvimento nessa área. Sob pena de o Brasil se tornar um país vulnerável a ataques num futuro próximo", sustenta.
Fazendo pós-doutorado nos Estados Unidos, Maxwell retorna para o
Espírito Santo no mês que vem. A perspectiva é que a tecnologia quântica entre nos temas de suas aulas no Ifes já a partir do segundo semestre letivo. Para ele, é imprescindível a familiarização dos estudantes e profissionais da área de computação com o assunto.