As aglomerações, o aumento sazonal das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs) e as novas variantes do coronavírus são alguns dos fatores percebidos nos municípios do interior que impactaram no comportamento da pandemia no Estado como um todo.
Outro dado que chama a atenção é que a mortalidade pela
Covid-19 em 26 municípios já é bem maior do que a média do
Espírito Santo, que até esta quarta-feira (31) estava 18,45 mortos pela doença a cada 10 mil habitantes.
Desse total, 20 cidades estão localizadas no interior do Estado e outros seis ficam na Grande Vitória. O maior índice pertence à Águia Branca, Noroeste do Estado, que alcançou a marca de 38,42 óbitos/10 mil habitantes. Mais do que o dobro do índice estadual.
O cálculo da taxa considera o número de mortes pela doença e os habitantes de cada cidade, o que ajuda a avaliar o impacto destes óbitos em relação à população local. Foram utilizadas as informações do Painel Covid-19 do Espírito Santo, ferramenta da
Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) que reúne as estatísticas estaduais relativas à doença causada pelo novo coronavírus.
Pablo Lira, diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e membro do Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), acompanha a evolução da pandemia desde o início dos casos em 2020. Segundo ele, o dado mais recente que se pode acompanhar do interior e da Grande Vitória é a média móvel de óbitos.
"Nesta semana, foi superada a maior média móvel de óbitos dos últimos 14 dias desde o início da pandemia", destaca.
Outra análise considerada por Lira está relacionada ao comportamento da população durante o enfrentamento à pandemia. O desrespeito aos protocolos sanitários e a falta do uso de máscara, por exemplo, contribuem para o aumento da taxa de contágio (Rt).
Com base nos dados publicados no Painel Covid-19 no dia 25 de março, gráficos construídos indicam a velocidade do aumento de contágio pela Covid-19 no Espírito Santo, nos municípios da Grande Vitória e no interior, isoladamente.
A expectativa é sempre a de que o Rt se mantenha abaixo de 1. Acima de 1, significa que 100 indivíduos infectados podem passar a doença para mais de 100 pessoas. No dia 19 de fevereiro, a taxa chegou a 0,82,ou seja, 100 infectados eram capazes de transmitir o vírus para mais 82 pessoas no Estado. Uma semana depois, passou para 1,09, quando 100 pessoas deixavam outras 109 doentes. No dia 5 de março, o Rt era 1,28. Ou seja, a cada 100 doentes podiam transmitir o vírus para 128 capixabas.
Na Grande Vitória, o ritmo de contágio era 0,54 no dia 19 de fevereiro. Isso significa que 100 pacientes poderiam infectar outros 54. No dia 26 do mesmo mês, a taxa era 1,22, quando 100 passavam o vírus para 122 pessoas. No dia 5 de março, último dado disponível, a taxa estava em 1,27. Dessa forma, 100 pessoas transmitiam o coronavírus para 127.
Nos municípios do interior, os dados indicavam que no dia 19 de fevereiro o contágio estava maior do que na Grande Vitória e o índice geral do Estado: 1,07. Naquela situação, 100 pessoas passavam o vírus para outras 107. Sete dias depois, a taxa era 0,99. Assim, 100 pessoas podiam deixar mais 99 infectadas. No dia 5 de março, o Rt era 1,3, isto é, 100 pacientes infectavam 130.
"Tudo indica que o ritmo de transmissão vai continuar elevado nas próximas semanas. A média móvel de óbitos vai demorar a desacelerar, pois continua em expansão. É cedo para confirmar, mas a média móvel de contágio começa a dar uma suave desacelerada agora. Além disso, tem o efeito da quarentena que deve começar a repercutir nas próximas semanas", pontua Lira.