O Espírito Santo registrou uma explosão de casos de Covid-19 entre outubro e novembro deste ano, classificada pela Secretaria de Estado da Saúde como a 6ª onda da pandemia, atribuída sobretudo à subvariante BQ.1, da Ômicron – e pode atingir o topo de casos daqui a duas semanas. Segundo números da Sesa, os casos da doença aumentaram 41 vezes, passando de 741 em outubro para 30 mil em novembro.
O número de mortes também subiu, mas em ritmo menos acelerado - 6 para 21 em novembro. Após um período de 10 dias de chuva no Estado, a secretaria também chama atenção para aumento nos casos de dengue.
A comparação entre outubro e novembro, segundo a Sesa, para a Covid:
Número de casos
- Outubro - 741 casos de Covid
- Novembro - 30.650 casos de Covid
Número de mortes
- Outubro - 6 mortes
- Novembro - 21 mortes
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (6), o secretário de Estado da Saúde, Tadeu Marino, detalhou o atual cenário da pandemia no Espírito Santo, chamando atenção para o risco de infecção, a importância da vacinação e do uso de máscara de proteção.
"Estamos vivendo a 6ª onda da Covid com uma subvariante da Ômicron. Houve um crescimento de casos, o que mostra a importância da onda e da variante. E também um aumento de mortes em decorrência do aumento de casos"
Ainda de acordo com o secretário, mais de cinco mil casos e sete óbitos já foram registrados durante o mês de dezembro. Os números mostram, segundo Tadeu Marino, que a nova subvariante deve ser acompanhada de um cuidado reforçado da população capixaba.
"Não há comparação com as primeiras ondas, mas temos repercussão de interação e óbitos. Hoje temos mais de 160 internados nos hospitais. A maioria em enfermarias, mas alguns em leitos de UTI", detalha.
Para o subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, há uma previsão inicial de que a Ômicron ainda promova aumento de casos na época de Natal no Espírito Santo.
"Vivemos um momento abrupto de um mês para o outro. Saltamos de maneira exacerbada no número de casos. Se compararmos com outras ondas, estamos a duas semanas para chegar ao topo. Seriam outras duas semanas para a queda. Ainda devemos ter influência da Ômicron no Natal"
Sesa chama atenção para vacinação de crianças
Entre as 21 mortes registradas no mês de novembro em decorrência da Covid-19, apenas uma tinha menos de 60 anos, segundo a Sesa. Os números indicam que 85% das pessoas internadas atualmente com a doença têm o esquema vacinal incompleto.
Além do alerta para vacinação dos adultos, a secretaria chamou atenção para a proteção das crianças, sobretudo aquelas de 5 a 12 anos. A Secretaria de Saúde organiza um "Dia D" para imunização no próximo dia 17.
"A presença das famílias levando as crianças para vacinação é muito pequena. Fazemos um apelo às famílias que levem as crianças para vacinação", diz o secretário de Saúde.
Máscara é recomendada em ambientes fechados
A reportagem de A Gazeta questionou à Sesa se, com o aumento do número de casos da Covid-19, haveria novamente obrigação do uso de máscara em determinados ambientes. O secretário Tadeu Marino afirmou que o item de proteção é recomendado em ambientes com pouca circulação de ar. O secretário ainda disse que a máscara é obrigatória em ambientes hospitalares, além de consultórios médicos e salas de vacinação.
10 dias de chuva: Sesa alerta para aumento de casos da dengue
Ainda durante a coletiva de imprensa nesta terça-feira, a Secretaria de Estado da Saúde chamou atenção para o aumento dos casos de dengue no Espírito Santo. De acordo com Tadeu Marino, foi registrado um crescimento de 28% na quantidade de casos nas últimas semanas. Duas pessoas morreram em decorrência da dengue em 2022. Outra doença lembrada foi a leptospirose, normalmente contraída em contato direto com alagamentos e enchentes.
As chuvas que atingiram o Estado desde o dia 24 de novembro podem representam um risco. O alerta da Sesa é para que os capixabas mantenham cuidado e evitem água parada.
"Temos como consequência das chuvas, além de perdas materiais e humanas, há o risco de surgimento da dengue. Essas condições aumentam a quantidade e a proliferação dos mosquitos. Temos comunicação e ação sobre isso, temos feito alertas. Além dos agentes, que os moradores cuidem do espaço. 80% dos focos são encontrados no domicílio ou perto dele. É preciso eliminar a água, onde ele se reproduz", afirma Reblin.
Os sintomas da dengue podem ser parecidos com os da Covid-19, por isso a recomendação é que o paciente procure a testagem e o atendimento médico.