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Vacinação

Covid-19: quanto tempo após tomar a vacina estaremos imunizados?

Infectologista explica o que acontece quando a pessoa recebe apenas uma dose do imunizante e quando os anticorpos garantem proteção do organismo

Publicado em 06 de Fevereiro de 2021 às 08:00

Daniel Pasti

Publicado em 

06 fev 2021 às 08:00
Passados 20 dias desde o início da campanha de vacinação contra a Covid-19 no Espírito Santo, mais de 93 mil pessoas receberam a primeira dose do imunizante em todo o Estado, segundo dados do Painel Vacinação, da Secretaria do Estado de Saúde (Sesa). Porém, essa pessoas, que fazem parte do grupo prioritário, ainda não podem ser consideradas totalmente protegidas da doença.
Isso porque, segundo o infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Crispim Cerutti Júnior, a primeira dose da vacina não garante ainda a imunização. De acordo com o médico, há um certo grau de proteção com a aplicação de uma dose, mas o teor máximo de imunização vem apenas após a segunda aplicação.
"A primeira dose já é um estímulo para desenvolver a resposta imunológica, mas não temos como quantificar isso, não se mediu o nível de imunidade induzido a partir da primeira dose. Com certeza há algum grau, mas não dá pra quantificar. A certeza é de que há a imunidade a partir da segunda dose. Ainda assim, o efeito não é imediato", disse.
Após a aplicação da segunda dose, ainda existe um intervalo de tempo para que os anticorpos produzam a resposta imunológica no corpo humano. Crispim Cerutti ressaltou que esse período é de, no máximo, 15 dias após a imunização e que isso não acontece apenas nas vacinas contra a Covid-19.
"A pessoa pode ser considerada imunizada duas semanas após a aplicação da segunda dose. Tem um período de 15 dias em que a imunidade ainda não é totalmente constituída, isso não é uma exclusividade dessa vacina contra a Covid-19, as vacinações em geral funcionam assim", explicou. 
O infectologista pontuou também que, mesmo após a imunização, ainda existe a chance de infecção pela doença, uma vez que nenhuma vacina possui 100% de eficácia para o contágio. Mas todas as vacinas aprovadas contra a Covid-19 garantem que, ao ser infectado, o doente não irá desenvolver a forma grave da doença. Ele reiterou que a principal meta com as campanhas de vacinação é conter a transmissão do vírus, o que acontece quando uma grande parcela da população é vacinada.
"É preciso lembrar que a grande estratégia da vacina é barrar a cadeia de transmissão. A expectativa é que, quando tivermos um grande número de pessoas vacinadas, a pandemia retroceda", afirmou.
Para que o vírus pare de circular, existe um cálculo que demonstra a parcela de uma população que deve ser imunizada. Crispim Cerutti explicou que essa fórmula leva em conta a eficácia da vacina utilizada e a capacidade de reprodução e infecção do vírus. O restante da população que não recebe o imunizante, conforme disse o infectologista, se beneficia indiretamente com a não circulação da doença.
"O raciocínio é em cima da taxa de reprodução, ou seja, quantas pessoas alguém que contrai o vírus pode infectar, e da  taxa de eficácia das vacinas. É feito um cálculo em cima desses dois dados para descobrir o número de pessoas que devem ser vacinadas para que o vírus pare de circular. Para uma vacina com 50% a 60% de eficácia, a vacinação tem que abranger entre 70% e 80% da população. Esse grupo de 20% a 30% pessoas que não são vacinadas, nessa perspectiva de probabilidade, se beneficiarão indiretamente, porque o vírus não chegará mais até elas", explicou. 
Crispim reforça que, embora a campanha de vacinação tenha começado, é preciso continuar com as medidas de proteção e de higiene, como uso de máscara e álcool em gel para limpar as mãos, enquanto o número de casos de infecção por Covid-19 não cair significativamente.  "O grande termômetro para relaxar as medidas é a frequência de casos. Poderemos relaxar as medidas de proteção somente após o número de casos apresentar uma grande redução", concluiu o infectologista.

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