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Açúcar no sangue

Covid e diabetes: estudo da Ufes mostra como infecção mexe com a glicose

Pessoas que tiveram coronavírus, mesmo na forma leve, desenvolveram quadros de pré-diabetes e diabetes; especialistas estudam hipóteses sobre como o vírus provoca a doença

Jaciele Simoura

Reporter

jsimoura@redegazeta.com.br

Publicado em 31 de Julho de 2022 às 09:36

Publicado em

31 jul 2022 às 09:36
Muitos pacientes de Covid têm desenvolvido pré-diabetes ou mesmo o diabetes após a infecção pelo coronavírus
Muitos pacientes de Covid têm desenvolvido pré-diabetes ou mesmo o diabetes após a infecção pelo coronavírus Crédito: Shutterstock
Além das consequências respiratórias, estudos mostram que a Covid-19 tem a capacidade de causar uma inflamação generalizada no corpo de quem é infectado. Mesmo em casos mais leves, o problema é capaz de afetar órgãos importantes e ainda aumenta o risco de provocar outras doenças, como a diabetes. É o que vem observando um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Coordenado pela pneumologista e especialista em Medicina do Sono Jessica Polese, professora do Departamento de Clínica Médica da Ufes, o estudo teve início em setembro de 2020 e foi realizado com 44 pacientes curados da Covid-19. O objetivo era avaliar a função pulmonar desses pacientes durante a pós-recuperação. Mas outros sintomas foram detectados nos exames realizados até 180 dias após a alta hospitalar.  
Exames laboratoriais mostraram prevalência significativa de hiperglicemia (quando os níveis de açúcar no sangue estão muito elevados) nos pacientes analisados. A pesquisa também mostrou que 25% deles que não tinham histórico da doença, ao final de seis meses, estavam no estágio de pré-diabetes.
"A dúvida que temos é quanto tempo durará esse aumento de glicose. Será que dura muito tempo? É capaz de causar lesão em outros órgãos ou é temporária e depois melhora? Não temos essa confirmação. O que sabemos é que a infecção descontrola as células produtoras de insulina do pâncreas. Essa inflamação gera uma resistência à insulina, que é uma mecanismo do pré-diabéticos", disse Jessica Polese.
Como a Covid mexe com a glicose (Núcleo de Reportagem de A Gazeta)
De acordo com a endocrinologista Gisele Lorenzoni, uma das hipóteses é que, como a Covid-19 é altamente inflamatória, esse problema leva a um quadro de resistência à insulina. 
"A insulina é um hormônio que regula a quantidade de açúcar no sangue. Após a infecção pelo coronavírus, essa insulina passa a não agir da forma como deveria e o pâncreas passa a produzi-la de forma irregular, causando acúmulo de glicose no sangue", explicou.
Outra hipótese estudada pelos especialistas é que, nos tratamentos dos pacientes com coronavírus, são receitadas altas doses de corticóides (substâncias utilizadas para reduzir inflamações ou atividade do sistema imunológico do corpo). Isso aumenta a quantidade de açúcar nos sangue.
A terceira hipótese é o acometimento direto do pâncreas, responsável pela produção da insulina, hormônio que controla a glicose, durante a infecção da Covid-19.
Segundo Gisele Lorenzoni, o problema é predominante em pacientes que já eram pré-dispostos à doença, como pessoas com alguma comorbidade, colesterol alto, em obesos ou em quem já tinha histórico de diabetes na família.  Mas até mesmo pacientes considerados saudáveis também podem ser acometidos pela pré-diabetes ou ter diabetes pós-Covid. 
"É muito individual a forma como o vírus vai agir no corpo. Essa diabetes é mais comum em pacientes graves, mas em casos leves já são observados. Os maiores acometidos são os idosos, que já apresentam outras comorbidades, mas hipertensos, obesos, pacientes com histórico de diabetes na família, que têm alteração de colesterol, podem ser acometidos"
Gisele Lorenzoni - Endocrinologista

Crianças também correm riscos

Além de adultos e idosos, estudos já mostram que crianças também podem desenvolver diabetes após se contaminarem com o coronavírus. Segundo estudos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, crianças que se recuperaram da Covid-19 apresentaram maior risco de desenvolver diabetes tipo 1 e tipo 2.
O estudo examinou bancos de dados de seguros de saúde e mostrou a prevalência de diabetes em crianças que foram contaminadas com coronavírus. Os pesquisadores compararam os diagnósticos de diabetes em crianças que tiveram e que não tiveram Covid-19 desde março de 2020.
Nos dois conjuntos de dados houve um aumento no número de casos de diabetes em crianças. Naquelas que foram infectadas pelo coronavírus, o crescimento foi de 2,6%.

CUIDADOS APÓS A INFECÇÃO

Para as especialistas, os cuidados pós-Covid devem ser feitos com acompanhamento regular de um médico, para avaliar as taxas de glicose. Além disso, é preciso ter uma alimentação mais saudável, com consumos adequados de proteínas, uma vez que pacientes mais graves têm perda muscular, causada pelo processo inflamatório sistêmico. Também é recomendada a prática de atividades físicas. 
"Eu costumo dizer que o paciente que teve Covid deve se cuidar de maneira agressiva. Não ficar esperando. Glicose alta dá lesões. É necessário procurar especialistas e usar medicação, se for necessário. Não ficar esperando pelo pior", disse Jessica Polese. 

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