Um total de 3,6 mil caminhões carregados de pedra vão ser utilizados para solucionar os problemas causados pela erosão no Km 171, da BR 101 Norte, em Aracruz. No ponto, uma cratera foi aberta na rodovia em decorrência das fortes chuvas e estão sendo feitas obras de recuperação.
O tráfego no local foi liberado, provisoriamente, no último dia 8 de dezembro, a partir da construção de um desvio. Para fazer o caminho alternativo, foram necessários:
- Caminhões - 200 caminhões basculantes por dia
- Pedra - 1.600 caminhões carregados de pedra
- Aterro - 16 mil m³ de de pedra para o aterro, o que equivale a mais de 8 piscinas olímpicas cheias.
De acordo com Mauricio Cavalli, gerente de engenharia da Eco101, concessionária responsável pela administração da via, um volume ainda maior de pedras já começou a ser armazenado para ser utilizado no aterro da cratera que se formou na pista. “A expectativa de conclusão dos trabalhos é de 30 dias, o que deve ocorrer no início de janeiro do próximo ano”, informou.
Tamanho da cratera
No ponto onde ocorreu a erosão havia uma galeria, da década de 1970 quando o trecho da pista foi construído, por onde passava o Rio do Norte, . “(A pista) era monitorada com frequência, mas não suportou o impacto da chuva volumosa”, explicou Mauricio Cavalli.
As fortes chuvas aumentaram o volume de água do rio, o que destruiu a galeria e a rodovia, criando uma cratera gigante, com as seguintes dimensões:
- Altura - Do leito do Rio Norte até a altura da pista são 10 metros de altura.
- Largura - Na parte superior, somando a largura das duas pistas e acostamentos, são 13 metros. Na parte inferior, são cerca de 40 metros, considerando um formato de trapézio no sentido transversal à rodovia.
- Aterro - Será preciso 20 mil m³ de pedra (o que equivale a mais de dez piscinas olímpicas). No seu transporte vão ser necessários 2.000 caminhões basculantes.
Para reconstruir a rodovia será preciso instalar uma nova galeria que dará passagem ao Rio do Norte. Ela será montada no local com peças pré-moldadas que já estão sendo produzidas por uma empresa do Estado. “Será uma das maiores galerias da BR 101”, explicou Maurício Cavalli. Ela terá:
- Comprimento - 40 metros
- Altura - estimada em 1,5 metros
- Material - peças pré-moldadas que vão ser montadas no local
O que causou a destruição
Os estragos na rodovia, no Trecho Norte, aconteceram em dois pontos e foram causados pelas fortes chuvas que afetaram a região, segundo o gerente de engenharia da Eco101, Mauricio Cavalli.
“Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que tivemos uma vazão de 700 mm de chuva na região, um evento extraordinário após um ano com estiagem. Foi uma chuva anormal, que afetou a região em um raio de 50 a 100 quilômetros e prejudicou a malha rodoviária do Estado, municípios e a rodovia”, explicou.
O primeiro deles foi no dia 29 de novembro, no km 170, em Linhares. Logo nas primeiras horas do dia, uma cratera foi aberta na pista. Isso porque a rodovia atravessa um curso de água que, em situação normal, é intermitente, mas que aumentou de volume com a chuva.
“Logo que o problema ocorreu, fomos para o local e rapidamente encontramos uma solução que seria executada em 72 horas, permitindo que o tráfego fosse liberado. Uma obra que contou com fornecedores de várias cidades, como Cariacica, João Neiva, Aracruz, Linhares, mas que precisou ser postergada por outra erosão”, relata o gerente da Eco101.
Ele se refere a outro evento ocorrido em 1º de dezembro, quando a rodovia ruiu no km 171, em Aracruz. Novamente o tráfego foi totalmente interditado no ponto.
O km 170, em Linhares, foi recuperado e o tráfego foi liberado no último dia 8. Com isto, o fornecimento de material para viabilizar a recuperação do KM 171 também foi restabelecido.
Trinta dias de obra
Segundo Maurício Cavalli, a obra na rodovia em Aracruz vai demandar pelo menos 30 dias em decorrência dos estragos e do material necessário para o reparo.
“É preciso fazer uma nova drenagem para a travessia do rio. Optamos por uma galeria de concreto pré-moldado, pela agilidade na entrega, qualidade material, que é durável para a drenagem”, explica.
Formada por peças de cerca de um metro que serão unidas no local de instalação, a nova galeria também os limites de transporte. “Foi dimensionada para a vazão do rio, que está em uma bacia com vários afluentes, e também para o futuro, em caso de eventos similares tenha capacidade de escoamento sem problemas”, acrescentou.
No momento, de acordo com o gerente, está sendo preparado o terreno onde fica o leito do rio. “Com uma fundação de pedra para estabilizar, regularizar e receber os elementos pré-moldados (galeria)”, explicou Maurício.
Na sequência será feito o reaterro. Tradicionalmente seria feito com solo, que segundo o gerente de engenharia, exige condições de tempo seco, com umidade controlada e demanda mais tempo.
Em função do período de chuvas, optaram por fazer a recomposição com pedra. Por cima do aterro de pedra virá a estrutura do pavimento, com cerca de 40 cm. E por fim as camadas da pavimentação - que é por onde o usuário passa -, com camadas de pavimentação com brita e o asfalto.
Momento mais crítico da concessão
Na avaliação do gerente de engenharia da Eco101, a erosão grave ocorrida em dois pontos da BR 101 Norte interditando totalmente o tráfego foi um dos momentos mais críticos dos nove anos de concessão.
“Foi o momento crítico, um dos maiores desafios na rodovia pela imprevisibilidade. Temos grandes obras, como pontes, viadutos, obras de ampliação, feitos com cronograma. Estes dois pontos exigiram uma resposta imediata, na pressa para restabelecer o tráfego o usuário, e em condições climáticas desfavoráveis, presentes durante todo o trabalho, tudo feito com muita chuva”, relatou.
Maurício conta ainda que a após a primeira cratera, foi encontrada uma solução e a situação estava relativamente controlado, até que ocorreu o segundo rompimento da via. “Foi um susto grande e exigiu reorganização para não faltar material”, explicou.
Cerca de 200 funcionários - diretos e indiretos - trabalham nas duas obras. No terceiro dia, após ruir o segundo ponto, foram trazidos equipes especializadas até de Minas Gerais.