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Dor na despedida

'Desculpas não vão trazer ela de volta': criança atropelada no ES é enterrada

Desabafo é da tia de Laura Beatriz, atropelada no colo da mãe, enquanto atravessavam a rua na faixa de pedestres em Vila Velha. A menina ficou ficou internada por dois dias até ter a morte ser confirmada na tarde de sexta-feira (23)

Publicado em 24 de Agosto de 2024 às 16:51

João Barbosa

Publicado em 

24 ago 2024 às 16:51
Laura Beatriz, de cinco anos, foi enterrada no Cemitério de Santo Antônio, em Vitória
Laura Beatriz, de cinco anos, foi enterrada no cemitério de Santo Antônio Crédito: Cristian Miranda / Montagem AG
A pequena Laura Beatriz, vítima de atropelamento enquanto estava no colo da mãe em Vila Velha na noite da última quarta-feira (21), foi enterrada na tarde deste sábado (24). A menina, de apenas cinco anos, ficou internada por dois dias em estado gravíssimo após o acidente, e teve sua morte confirmada na tarde de sexta-feira (23). Sem responder aos estímulos médicos, Laura morreu por politraumatismo.
O sepultamento no Cemitério de Santo Antônio, em Vitória, reuniu parentes da criança e amigos da família. Laura, segundo familiares, era uma menina doce e brincalhona. Pouco antes da despedida, as pessoas do convívio da criança externaram a dor, a saudade e o desejo de justiça.
“Laurinha foi um presente que ficou dentro de nossas vidas. É muita dor. Por que acabar com uma família e ainda querer pedir desculpas? Desculpas não vão trazer ela de volta com o sorrisinho doce e com as brincadeiras”, lamentou Aline Cristina, tia de criação de Laura, em conversa com o repórter Cristian Miranda, da TV Gazeta.
Segundo a mulher, a família está desolada. “Minha filha quase foi parar no hospital [quando soube da morte de Laura]. Ela tem sete aninhos e disse que queria se despedir do anjinho dela”, completou. “É o primeiro velório da nossa família para uma criança em uma fatalidade dessa. Para quê passar o sinal [vermelho] naquela velocidade?”, indagou a mulher, questionando a atitude do motorista.
"Nossa família vai ficar sem um anjo. A gente espera que as autoridades façam alguma coisa. [As pessoas] têm que ter consciência do que fazem no trânsito. Perdemos uma vida e a mãe está toda 'quebrada', cheia de dor no corpo, além da dor no coração, que é muito forte", disse Geruza Ramos, tia-avó de Laura.
Arlindo da Vitória, avô materno de Laura, contou que a neta era um verdadeiro presente, já que nasceu no mesmo dia de seu aniversário, em 25 de maio. “Estou totalmente arrasado. Já chorei muito e não tenho mais lágrimas para chorar. Só espero que Deus coloque a mão na cabeça desse delinquente e que ele pague pelo crime que cometeu”, disse.
Segundo Arlindo, Mara, mãe de Laura, ainda vai passar por cirurgia nos braços e nas pernas. “Ela está sedada, não quer falar com ninguém, não come [...] É um momento muito delicado”.

Pedido de prisão

Logo após a confirmação da morte da criança na tarde de sexta, a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) pediu a prisão do condutor do veículo pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, ambos com dolo eventual. A corporação informou que agora aguarda decisão judicial para dar cumprimento ao mandado.
O dolo eventual é quando a pessoa assume o risco de produzir um resultado, mesmo não querendo que ele se concretize. No caso, quem pratica a ação sabe que o resultado é provável e possível, e aceita que ele ocorra. Wenderson Fagundes de Oliveira, o motorista do carro, está em liberdade após se apresentar na Delegacia Regional de Vila Velha cerca de uma hora depois da batida. O condutor foi solto após pagar R$ 1,5 mil de fiança.
Até o momento do enterro, Wenderson não havia dado entrada no sistema prisional.

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