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Respeito e admiração

Do turismo ao sincretismo, o encanto pelo Convento de quem tem outra fé

Uma espírita kardecista, um candomblecista, um evangélico e uma agnóstica falam sobre a admiração seja com o cartão-postal, seja com a Festa da Penha

Publicado em 07 de Abril de 2021 às 14:07

Publicado em 

07 abr 2021 às 14:07
Alcione Dias (camisa branca) é espírita e já foi várias vezes à Festa da Penha e às missas do Convento.
Alcione Dias (camisa branca) é espírita e já foi várias vezes à Festa da Penha e às missas do Convento. Crédito: Arquivo Pessoal
Não importam a religião ou a razão. Do turismo ao sincretismo, a fé no encanto leva à montanha e atrai céticos, espíritas, candomblecistas, evangélicos e tantos outros, seja para apreciar a paisagem do campinho do Convento, seja para a Festa da Penha. Pessoas de vários credos, ou sem nenhum, entram em estado de contemplação com o espetáculo. Estão entre os milhões que visitam anualmente o lugar ou que participam do terceiro maior evento religioso do Brasil.
“É de encher os olhos. Sou espírita kardecista, e a Festa da Penha me emociona muito. Já fui às Romarias dos Homens e das Mulheres. Só nas últimas edições é que não pude comparecer. Quando a pandemia acabar, creio que posso voltar a frequentar. Meu filho, também espírita, já foi a dez edições antes da pandemia”, conta a professora de Artes Alcione Gabriel Dias, 64 anos.
O que mais comove esta paulistana radicada há três décadas no Espírito Santo é a força da manifestação católica, marcada por um “fervor que arrebata”. “Há gente vinda de todos os lugares. Todo mundo segue com um único objetivo, de fazer uma procissão linda. Quando subo o Convento, vou orando. O lugar nos propicia ficar mais perto de Deus. Tenho parentes católicos e, quando me visitam, levo-os ao Convento e assisto às missas”, diz Alcione.

RELIGIÃO: BRASILEIRO

Fábio Carvalho, 51, músico e produtor capixaba, também é movido pela fé. “Sou devoto de Nossa Senhora da Penha. Tenho a imagem dela. No meu altar, tem santos católicos e tem orixás”, afirma ele, que, ao ser perguntado sobre a sua religião, responde: “Sou brasileiro”.
Também adepto do candomblé, Fábio tem forte ligação com a Festa da Penha. Já marcou presença em várias edições da Romaria dos Homens e, nos dias da apresentação dos grupos de congo na programação, sobe a ladeira com a banda Mestre Honório, na qual toca tambor.
Em fevereiro de 2019, ele postou uma publicação na sua rede social em tributo à padroeira pela saúde de sua filha: “Conseguimos trazer ao Convento a nossa Maria Flor para agradecermos juntos pela vida desta pequena guerreira que nasceu de sete meses (...). Ficou 49 dias na Utin, em meio a várias complicações. (....) Obrigado a Deus, a Nossa Senhora da Penha das Alegrias, a Mamãe Oxum, a São Benedito, a todos os orixás e a todos vocês que torceram e torcem pela nossa Flor”.
Fábio Carvalho, que já frequentou as romarias da Festa da Penha e também é adepto do canbomblé, foi ao Convento agradecer pela vida da filha, que nasceu prematura. 'Minha religião é ser brasileiro'.
Fábio Carvalho, que já frequentou as romarias da Festa da Penha e também é adepto do canbomblé, foi ao Convento agradecer pela vida da filha, que nasceu prematura. 'Minha religião é ser brasileiro'. Crédito: Arquivo Pessoal

AGNÓSTICA SURPREENDIDA

Paulista então recém-chegada ao Estado, Whitne Fernanda Alves da Silva Santos, 32, logo foi atraída pela curiosidade em torno da Festa da Penha e pelo aspecto sociológico que a cercava. Afinal, qual a aura que envolvia o evento?, indagava-se ela, que naquela ocasião era estudante de Ciências Sociais.
“Também queria ver se ainda havia a pegada religiosa, achei que seria uma coisa mais turística. Fui com dois colegas católicos. Já na concentração no Centro de Vitória, veio o choque com a quantidade enorme de gente. Quando cheguei perto da imagem da Nossa Senhora da Penha, fiquei muito comovida e emocionada com a reação dos fiéis, principalmente porque havia vários idosos, e pro meu espanto, muitos jovens”, lembra a hoje socióloga.
A socióloga Whitne Fernanda, que se declarava agnóstica, em meio à multidão da Romaria dos Homens.
A socióloga Whitne Fernanda, que se declarava agnóstica, em meio à multidão da Romaria dos Homens. Crédito: Arquivo Pessoal
Outra cena que a impactou foi a presença de várias pessoas com necessidades especiais. “Recordo-me que o que mais me marcou foi poder sentir a fé das pessoas, e olha que eu sempre fui muito cética, mas ali senti o quão bem os fiéis estavam se sentindo”, destaca Whitne, que na época era agnóstica – ou seja, não acreditava que a existência divina pudesse ser provada, mas também não a negava.

VISITANTES EVANGÉLICOS NO CAMPINHO

A vista proporcionada lá de cima do campinho é o que atrai Fernando Macedo Rodrigues, 56 anos. Protestante batista, o motorista de carreta sempre que pode visita o principal cartão-postal do Estado. “Não vejo nenhum problema em ser evangélico e visitar um ponto turístico que pertence a outra religião. Vou ao campinho com bastante frequência e também levo parentes ou amigos de outras cidades para visitá-lo. O Convento é o primeiro lugar que faço questão de leva-los. A visita e a vista são deslumbrantes!”
Fernando enfatiza que tem amigos de várias religiões. “Uma coisa que eu mais respeito é a fé das pessoas e aquilo em que elas acreditam.”
Evangélico da denominação batista, Fernando Macedo visita ao campinho para curtir as belas imagens lá de cima.
Evangélico da denominação batista, Fernando Macedo visita ao campinho para curtir as belas imagens lá de cima. Crédito: Arquivo Pessoal
Fique por dentro de todas as informações da Festa da Penha 2021. Acompanhe a página especial do evento em A Gazeta: agazeta.com.br/festadapenha.

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