A média móvel de óbitos, o coeficiente dos casos ativos e a quantidade de testes em pacientes suspeitos de contaminação do novo coronavírus são os três fatores que fizeram com que Vitória migrasse do risco alto para moderado a partir desta segunda-feira (17).
A Capital é o único município da Grande Vitória classificado em risco moderado conforme o 55º mapa de risco. De acordo com o documento, o Espírito Santo conta com 28 cidades em risco alto, 32 em risco moderado e 18 em risco alto.
Entenda os indicadores que colocaram Vitória no risco moderado
Mas, por que somente Vitória está classificada em risco moderado? O diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, explicou que a classificação de risco dos 78 municípios é definida a partir da análise do coeficiente de casos ativos acumulado dos últimos 28 dias, da média móvel de óbitos dos últimos 14 dias e da taxa de testagem.
"Numa perspectiva das ameaças que influenciam na classificação, devemos destacar os óbitos, os casos ativos e a taxa de testagem. Vitória, na Grande Vitória, é o município que está com a menor média móvel de óbitos, por exemplo"
Conforme explica a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), a média móvel é um recurso matemático que permite analisar se o número de casos confirmados e/ou de óbitos na última semana ou em 14 dias aumentou ou diminuiu, de acordo com o mesmo intervalo de tempo das semanas anteriores.
Na reunião dos membros de Comando e Controle da pandemia, realizada na última sexta-feira (14), os dados dos municípios que foram apresentados indicavam que a média móvel de óbitos de Vitória (14 dias) era de 3,21. Na Serra, 4,86. Em Cariacica, 5,50. Em Vila Velha, 6,79. Pablo explicou que os dados devem ser comparados a partir do comportamento da pandemia no município.
O outro indicador considerado na avaliação é a média de casos ativos, ou seja, pessoas infectadas com a doença nos últimos 28 dias. Em Vitória, 273 pessoas apresentavam diagnóstico positivo para Covid-19. Na Serra, eram 619. Em Cariacica, 836. Já em Vila Velha, era 1.145. Os dados são analisados semanalmente pela equipe do governo do Estado.
"Neste caso, é preciso avaliar se o indicador está aumentando ou diminuindo em relação aos números anteriores do próprio município, não deve ser comparado com as demais cidades. Vitória está um pouco mais adiantada na terceira fase de expansão da pandemia. Serra e Cariacica, daqui uma ou duas semanas, vão sair. Viana também deve sair em breve. As realidades estão diferentes por conta dos óbitos e dos casos ativos", ponderou Lira.
CARIACICA MUDA CLASSIFICAÇÃO POR DECRETO
Alegando que o município de Cariacica também teria elementos favoráveis à mudança do risco alto para o moderado, o prefeito Euclério Sampaio decretou no último sábado (15) que a cidade adotaria as medidas restritivas para a fase mais branda do que a atual no enfrentamento à Covid-19.
Segundo o decreto de Euclério, os números recentes de mortes por complicações decorrentes da Covid-19 não diferem em muito da Capital. Além disso, considerando o fenômeno geográfico da conurbação verificado entre as cidades da Grande Vitória, tecnicamente, deveriam ser adotadas medidas igualitárias. O entendimento de conurbação teve o fim anunciado na sexta-feira (14).
Um dos pontos que embasavam o argumento era a expectativa de aumento de circulação de pessoas entre os municípios, tendo em vista a autorização estadual para que os ônibus que integram o Sistema Transcol retomassem a operação normal entre 5h e 0h em toda a Grande Vitória. Neste sentido, o texto destaca a “ausência de justificativa técnica” para o tratamento diferenciado.
Pablo Lira explicou que o risco é analisado particularmente para os 78 municípios capixabas. “Esses três indicadores de ameaça: média móvel de óbitos, casos ativos e testagem são analisados em todos os municípios. A regra da conurbação é acionada quando estamos na fase de expansão. Se a regra fosse mantida na fase de redução, os municípios ainda assim ficariam em risco alto neste momento”, disse.
No domingo (16), a Justiça Estadual, em decisão do desembargador de plantão Manoel Alves Rabelo, suspendeu o decreto municipal. A ação foi proposta pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que alegou que o ato do prefeito "flexibiliza indevidamente todas as restrições sanitárias a ele aplicáveis, o que implica desnaturação do mapa de risco adotado para a gestão da pandemia".
FIM DAS REGRAS
Os especialistas destacam que as ações do governo do Estado, aliadas à fiscalização dos municípios, o comportamento da população e a dinâmica da pandemia são determinantes na composição dos fatores que influenciam no risco de cada cidade.
Um novo cenário da pandemia no Estado levou o governo a mudar duas regras sobre o Mapa de Risco. Uma delas é a conurbação e a outra é a obrigatoriedade de que os municípios classificados em risco alto permanecessem no mesmo cenário por 14 dias.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros no Estado, coronel e doutor em Administração, Alexandre Cerqueira, explicou que na fase de expansão o governo do Estado passou a considerar Vitória, Cariacica, Serra, Vila Velha e Viana como território único.
Dessa forma, as medidas restritivas foram adotadas de forma conjunta. Neste caso, se dois municípios ficassem no risco alto, todos os municípios da Grande Vitória seriam classificados no risco alto."Na Grande Vitória temos municípios conurbados. É como se fosse praticamente um município só e geralmente há uma interação maior entre os moradores dessas regiões", explicou o oficial.
Na última sexta-feira (14), o governador Renato Casagrande anunciou o fim desta e da regra de 14 dias. Antes, com a subida de casos, uma cidade classificada em risco alto era mantida por 14 dias naquela classificação, mesmo se apresentasse números favoráveis na semana seguinte. Agora, vale mudança poderá ocorrer na mesma semana de alteração positiva dos indicadores.
"A pandemia funciona em ciclos e cada ciclo tem um momento de escalada e desescalada [queda]. No primeiro ciclo, a escalada foi em maio, junho e julho e depois houve a desescalada. Algumas regras são colocadas na escalada e outras na desescalada. É assim desde o ano passado"