O Espírito Santo não registra, até o momento, nenhum caso de intoxicação por metanol, semelhantes às situações ocorridas em São Paulo e em Pernambuco. A informação é da Secretaria de Saúde do Estado, divulgada nesta quarta-feira (1º). A pasta acrescenta ainda que também não há casos suspeitos em investigação.
O Brasil registrou 41 notificações de intoxicação por metanol até esta quarta, de acordo com o Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Nacional). São 37 em São Paulo e 4 em investigação em Pernambuco. Uma morte foi contabilizada e outras vítimas perderam a visão.
Entre os casos confirmados, a intoxicação foi causada pelo consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O metanol é um tipo de álcool industrial utilizado como solvente industrial e combustível, altamente tóxico.
Em São Paulo, a Vigilância Sanitária interditou três bares. Entre segunda e terça-feira, mais de cem garrafas foram apreendidas e encaminhadas para perícia.
Altamente tóxico para o corpo humano, o metanol atinge principalmente o fígado, mas também pode provocar lesões no nervo óptico e causar cegueira. Foi o que aconteceu com a designer de interiores Rhadarani Domingos.
Os sintomas da intoxicação se assemelham aos de uma ressaca, o que pode dificultar sua identificação. Além disso, as bebidas podem aparentar estar normais, inclusive no gosto.
Casos registrados
Até esta quarta-feira, São Paulo contabilizava 37 notificações: 10 confirmadas e 27 em investigação. Também foram notificados 5 óbitos, sendo que apenas um teve a confirmação de intoxicação por metanol.
Um desses casos é o do jovem Rafael Anjos Martins, 28 anos, em coma desde 1° de setembro, após uma intoxicação por metanol ao consumir um gin comprado em uma adega na Zona Sul de São Paulo.
Já a designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, perdeu a visão após consumir três caipirinhas feitas com vodca em no bar nos Jardins, região nobre de São Paulo. O local foi interditado.
Em Pernambuco, foram registrados 4 casos de intoxicação por metanol ingerido por meio de bebidas alcoólicas falsas. Duas pessoas morreram, e a outra vítima ficou com cegueira permanente.
Investigações
No dia 30 de setembro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, determinou que a Polícia Federal abrisse um inquérito para investigar os casos de intoxicação de metanol com foco na circulação e a distribuição de bebidas falsas no país.
Além disso, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacom) vai conduzir uma apuração administratica devido ao risco sanitário e de saúde pública causado pela ingestão de bebidas alcoólicas falsificadas
Crime organizado
Dados do Anuário da Falsificação 2025 feito pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) apontam que a adulteração de bebidas alcoólicas com metanol teria o suposto envolvimento e investimento da facção Primeiro Comando da Capital, o PCC.
“O contrabando vem, principalmente, da Argentina e Chile, e é facilitado por rotas específicas e pela atuação da organização criminosa PCC nas fronteiras brasileiras, ou seja, claramente existe o envolvimento de facções do crime organizado em tais movimentações”, afirma o relatório.
O documento estima que o faturamento das facções criminosas envolvidas com a fabricação de bebidas falsificadas chegue a R$62 bilhões. Além disso, aponta que 36% do mercado do país é composto por bebidas falsificadas e que, no último ano, as bebidas ultrapassaram o cigarro, e passaram a ser o produto mais falsificado do país.
Com informações da Agência Folhapress.