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Da horta ao laboratório

Estudantes transformam citronela em repelente gratuito em Colatina

Iniciativa escolar une ciência e responsabilidade social ao produzir repelente ecológico com matéria-prima cultivada pelos próprios estudantes e produtos naturais e recicláveis
Luana Luiza

Publicado em 

10 abr 2026 às 16:20

Publicado em 10 de Abril de 2026 às 16:20

estudantes transformam citronela em repelente
O repelente é desenvolvido à base de citronela plantada e manipulada pelos estudantes Crédito: Célio Ferreira
Um projeto escolar transformou conhecimento em ação e resultou na produção de um repelente natural à base de citronela, distribuído gratuitamente para moradores de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. A iniciativa dos estudantes do Colégio Marista foi desenvolvida desde o plantio da matéria-prima até a produção final.
O produto, que hoje já é utilizado por pessoas da comunidade, começou a ser desenvolvido meses antes na própria escola, a partir do cultivo de citronela em uma horta suspensa. A planta, conhecida por afastar insetos, foi escolhida também pela resistência, principalmente no período chuvoso, quando há maior proliferação do mosquito.
Todo o processo segue princípios de sustentabilidade. O adubo utilizado vem da compostagem feita com restos de alimentos da educação infantil, enquanto a água é reaproveitada da chuva e até do gotejamento de aparelhos de ar-condicionado. A proposta é reduzir desperdícios e incentivar a consciência ambiental entre os estudantes.
A sustentabilidade é um pilar da nossa instituição. Nessa perspectiva de gerar autonomia, para que os nossos estudantes, no cuidado com o planeta, possam ser corresponsabilizados pela transformação social
Leonardo Borba - Diretor escolar
Após o cultivo, as folhas da planta foram levadas ao laboratório, onde passaram por um processo de extração. O material foi colocado em álcool para liberar a substância repelente, permanecendo em repouso por cerca de 15 dias em ambiente escuro. Depois, o extrato foi misturado com glicerina, ajudando na fixação na pele. O produto final foi armazenado em frascos reutilizados, muitos deles doados pela própria comunidade escolar. O repelente foi distribuído gratuitamente, principalmente para comunidades mais carentes.
Foi para a comunidade carente, muito querida por nós, com a qual trabalhamos juntos por muitos anos
Lavinya Gomes - Estudante
Foi uma experiência bacana, até porque a comunidade estava optando por utilizar os nossos repelentes em vez de comprar nas farmácias
Matheus Sperandio - Estudante
estudantes transformam citronela em repelente
Os alunos aprendem dentro e fora da sala de aula no desenvolvimento do repelente Crédito: Célio Ferreira
Além do impacto social, o projeto também teve caráter pedagógico. Os alunos participaram de todas as etapas, desde o plantio até a produção final, e ainda puderam aprofundar conhecimentos em ciências, como a observação de células vegetais em microscópio e o estudo da estrutura das plantas.
A gente comprou as mudas, ganhamos a terra e o adubo, um servidor criou o canteiro onde a citronela foi plantada e os estudantes iam semanalmente cuidar para ver se tinha pragas. Ali a gente aproveitava para também fazer o papel da explicação […] Tudo isso virou um espaço de sala de aula, não o ambiente formal, mas um ambiente gostoso, onde a gente convivia e cuidava
Rafael Rosa - Professor de Ciências
Os moradores que receberam o produto aprovaram a iniciativa e já utilizam o repelente no dia a dia.
Utilizo bastante. Eu e minha netinha, que, quando vem aqui, a gente passa sempre
Antônio Veríssimo - Bombeiro hidráulico
estudantes transformam citronela em repelente
Antônio utiliza sempre o produto e distribui para toda a família Crédito: Célio Ferreira
Antes da distribuição, o repelente ainda passou por testes realizados por um professor, para garantir que não causasse alergias e que fosse eficaz na proteção contra mosquitos transmissores de arboviroses. Além de benefício para a comunidade, a iniciativa gerou também a conquista do último Prêmio Biguá na categoria Escolas.

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