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Segurança pública

Estudo inédito aponta quadros de estresse em mais de mil policiais no ES

Levantamento feito em todas as corporações revela como está a saúde mental dos profissionais; policiais com esse quadro foram encaminhados para receber assistência

Publicado em 26 de Maio de 2023 às 07:42

Aline Nunes

Publicado em 

26 mai 2023 às 07:42
Saúde mental: Estudo inédito aponta quadros de estresse em mais de mil policiais no ES
Policiais apresentam quadros de depressão e ansiedade no Espírito Santo  Crédito: Arte/Geraldo Neto
Atuando em um segmento de alta tensão, lidando com vida e morte e observando a violência de muito perto, profissionais de segurança precisam dedicar uma especial atenção à saúde mental, muitas vezes negligenciada pelas pessoas de maneira geral por preconceito ou desinformação. Mas os problemas existem e é preciso enfrentamento. Prova disso é que um levantamento inédito no Espírito Santo aponta quadros de estresse em mais de mil policiais. 
O estudo foi encomendado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e realizado em parceria com a Ufes, que fez a pesquisa de campo com integrantes das polícias MilitarCivilFederalRodoviáriaBombeiros e mais agentes da guarda de municípios que aceitaram participar do levantamento — Vila VelhaSerraViana e Linhares
A pesquisa conseguiu a adesão de 1.569 profissionais de segurança do Estado, entre os quais se constatou que 84% (1.250) têm estresse. Separando por instituição, a maior incidência foi observada na Polícia Civil: dos entrevistados, 93% apresentaram-se estressados. Na sequência, aparecem Polícia Rodoviária Federal (PRF), com 87%, e Polícia Militar, 85%. 
"A gente tem uma carga muito pesada e carrega um estigma histórico. A sociedade nem sempre nos olha com bons olhos e somos muito cobrados por ela e ainda dentro da instituição. O fato de ser mulher também tem um peso por estar em um local que foi concebido, essencialmente, para o homem trabalhar", analisa uma policial militar, que pediu para não ser identificada. Ela aderiu à pesquisa porque considera importante participar das ações que possam melhorar a sua qualidade de vida e no trabalho. 
Estudo inédito aponta quadros de estresse em mais de mil policiais no ES
Como PM, um dos conflitos que precisa lidar diariamente é inerente à atividade: a possibilidade de atirar e matar em um confronto. "A gente tem que estar preparado para isso, mas me causa uma dualidade de sentimentos. Vou para a rua proteger as pessoas, inclusive a minha família e todos aqueles que amo. Ao mesmo tempo que posso sair e acabar tirando a vida de alguém. É uma questão pessoal não querer chegar a esse nível", ressalta a policial, que, agora, está passando por intervenções psicológicas. 
O estresse não é o único problema, porém é gatilho para uma série de outras condições: 22% apresentam depressão, 19% ansiedade e 68,9% têm indicativo de burnout (distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema). 
Na avaliação, ainda foi registrado que 56% dos profissionais consomem bebida alcoólica, dos quais a maioria faz uso de risco, isto é, abusivo. Há também policiais e agentes com risco cardiológico decorrente do estresse, com sinais de pré-diabete, hipertensão e excesso de peso. 
Gerente de atenção ao servidor na Sesp, o psicólogo Pedro Luiz Ferro conta que o levantamento foi feito entre 2022 e 2023, mas é resultado de um trabalho que tem sido desenvolvido dentro da secretaria desde 2019, quando foi criada a Comissão Permanente de Atenção à Saúde dos Profissionais de Segurança Pública, Defesa Social e Justiça do Espírito Santo (Copas). 
Pedro Ferro afirma que, a partir do diagnóstico das condições de saúde no trabalho e qualidade de vida dos policiais, foi possível propor ações tanto do ponto de vista de saúde mental, como intervenções psicológicas, quanto da saúde física, com acompanhamento cardiológico e nutricional. 
Apesar dos altos indicadores de estresse e outros problemas relacionados à mente, o gerente assegura que não houve necessidade de afastamento dos policiais das ruas porque estão recebendo assistência. "As pesquisas e ações serviram de subsídio e as pessoas que estavam adoecidas não voltaram a apresentar sintomas. Agora, vamos trabalhar para a ampliação desse projeto", diz Pedro Ferro. 
A professora Marluce Mechelli de Siqueira, coordenadora de pesquisa do Centro de Estudos e Pesquisas sobre o Álcool e outras Drogas: Interconexões (CEPADi) da Ufes, avalia que a pandemia teve um grande impacto sobre a saúde mental da população. Ela aponta que, em um primeiro momento, o foco do atendimento dos pacientes de Covid-19 era para que sobrevivessem ao vírus. Porém, os cuidados com a mente ficaram em segundo plano. Somam-se a isso os altos índices de mortes e o isolamento social para provocar sérios danos emocionais. 
"A primeira observação é esta: vivemos um período atípico na humanidade e, por isso, todos fomos impactados de forma direta ou indireta", frisa Marluce, também especialista em saúde mental e com doutorado em psiquiatria e políticas públicas. 
Quando se trata de profissionais de segurança pública, há outros componentes que podem agravar o quadro, segundo a professora. "São pessoas que todos os dias saem de casa com a possibilidade de não retornar. Esse é o juramento desse setor, de defesa da nação. Isso é um diferencial na vida deles, que pode exacerbar adoecimentos", avalia. 
Os profissionais de segurança, continua Marluce Siqueira, estão mais suscetíveis a uma ansiedade contida porque não podem se expressar dentro das corporações devido aos regimes disciplinares. Muitas vezes, observa a professora, acabam extravasando no ambiente familiar, ou excedendo na bebida alcoólica. 
"Esses grupos têm um grau de estresse elevado e, por isso, precisam ter avaliações de saúde com maior frequência e até uma escala com um pouco mais de folga", adverte a professora da Ufes, ao sugerir medidas que possam ajudar a minimizar os problemas que afetam os policiais.

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