Uma detonação de rochas realizada durante as obras de construção de uma ponte no distrito de Jaciguá, em Vargem Alta, na Região Serrana do Espírito Santo, causou danos a residências e assustou moradores no fim da tarde de terça-feira (17). A força da explosão lançou detritos que destruíram metade de uma casa. Ninguém ficou ferido.
O incidente ocorreu por volta das 17h. A residência da empresária Fernanda Marqueti foi a mais atingida. Segundo ela, o imóvel havia passado por uma reforma recente e estava disponível para venda ou aluguel. No momento da explosão, Fernanda estava com a chave da casa e pretendia buscar figurinos de uma encenação religiosa guardados na garagem.
“Foi desesperador. Mesmo não morando aqui no momento, passa um filme na cabeça. É um bem pelo qual você lutou para conquistar. Graças a Deus ninguém se feriu, mas é um sentimento muito triste de perda”, desabafou a proprietária em entrevista ao repórter Gustavo Ribeiro, da TV Gazeta Sul.
Explosão causa danos em casas em Vargem Alta
Além da casa de Fernanda, outras residências da localidade foram atingidas por estilhaços nos telhados, mas sem danos graves. As causas do incidente não haviam sido esclarecidas aos moradores até então. Segundo a empresária, representantes da empresa responsável pela obra estiveram no local e prometeram assistência, mas não apresentaram uma explicação técnica para o ocorrido.
Falaram em erro de cálculo, mas ninguém veio falar diretamente comigo no início. Os moradores estão com muitas dúvidas: é permitido usar esse tipo de explosivo tão próximo de residências? Por que não houve uma sirene?
Vistoria
De acordo com a Prefeitura de Vargem Alta, a obra é de responsabilidade do Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espírito Santo (DER-ES). Em nota, o órgão informou que a empresa contratada apresentou um projeto, no qual foi orientada a não utilizar explosivos no desmonte de rochas devido à proximidade de residências.
Segundo o DER-ES, as técnicas autorizadas incluíam o uso de argamassa expansiva, fio diamantado e outros métodos que não utilizam explosivos. O órgão informou ainda que notificou a empresa responsável para prestar esclarecimentos técnicos sobre a detonação ocorrida na terça-feira e determinou a paralisação das atividades de desmonte de rochas até que haja segurança na execução do serviço.
Sobre o imóvel atingido, o DER-ES afirmou que ele já estava em processo de desapropriação, devido a riscos estruturais identificados durante as obras de pavimentação e drenagem, além da proximidade com as estruturas de contenção da nova ponte. O órgão também informou que os demais imóveis atingidos passaram por vistoria e que os danos serão ressarcidos pela empresa responsável pela obra.
A Prefeitura de Vargem Alta informou que a Defesa Civil esteve no local e elabora um relatório sobre o caso. Após vistoria técnica realizada pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo, na tarde desta quarta-feira (18), o geólogo Roberto Bravo explicou que houve ultralançamento de fragmentos de rocha. A causa exata do incidente ainda não foi identificada.
Ele destacou que o material usado no local não é explosivo, mas sim um fragmentador de rocha, e que o efeito observado não era esperado. Também afirmou que a empresa deveria ter avisado a comunidade com antecedência e adotado medidas de segurança, como alertas e até evacuação de casas próximas.
O engenheiro do CREA-ES Átila Marques explicou ainda que o imóvel afetado não corre risco de desabamento. Segundo ele, a estrutura principal está preservada e a casa pode ser restaurada. Como as outras residências sofreram danos superficiais, não há necessidade de interdição. Um novo levantamento será feito para elaborar um relatório técnico em até 30 dias, que vai apontar responsabilidades e possíveis falhas.
O que diz a construtora
Por meio de nota, a Lockin Construtora — empresa responsável pela obra — informou que está prestando assistência aos moradores, avaliando os prejuízos e realizando reparos. O serviço foi executado por uma empresa terceirizada especializada, e a construtora diz que apura o caso para evitar novos incidentes.