O secretário de Estado de Mobilidade e Infraestrutura, Fabio Damasceno, tratou a paralisação dos rodoviários na Grande Vitória, na manhã desta quinta-feira (9), como "fora de contexto". Cerca de mil motoristas e cobradores de duas empresas do Sistema Transcol paralisaram as atividades e interromperam a saída de 340 ônibus que trafegam em Cariacica, Viana e em linhas troncais que passam por Serra e Vitória. Às 7h50, os veículos foram liberados para sair das garagens.
"Existe uma legislação para greve, tem que avisar com três dias de antecedência, há um procedimento para isso. Não tirando, desmerecendo a manifestação, o direito de manifestação do próprio sindicato, mas a população tem seu direito de ir e vir, retirado no dia de hoje, em função de uma paralisação fora de contexto", declarou em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta.
"É fora de contexto sim porque tem que ter regras para avisar a população, inclusive a própria Ceturb se preparar para atender melhor a população", completou.
Paralisação dos ônibus na Grande Vitória nesta quinta-feira (9)
Linhas afetadas pela paralisação
A paralisação de rodoviários de duas empresas do Sistema Transcol afetou linhas de ônibus em toda a Grande Vitória, na manhã desta quinta-feira (9). Veja abaixo quais foram os itinerários afetados e o que reivindicam os motoristas.
- Linhas troncais interrompidas:
- 504 - Terminal de Jacaraípe (Serra) x Terminal de Itacibá (Cariacica) - Via Reta da Penha
- 505 - Terminal de Laranjeiras (Serra) x Terminal de Itacibá - Via Camburi/Avenida Beira-Mar
- 591 - Serra x Terminal de Campo Grande (Cariacica) - Via Reta da Penha/BR 262
- Linhas da Santa Zita em Cariacica e Viana
- 777 - Terminal São Torquato (Cariacica)
- 911 - Terminal Campo Grande
- 912 - Marcilio De Noronha
- 913 - Bairro Industrial Via Marcilio De Noronha
- 982 - Bairro Industrial / Viana - Circular
- 986 - Areinha / Bairro Ipanema via Universal / Primavera / Marcílio De Noronha / Vila Bethânia - circular
- 921 - Universal
Ao todo 340 veículos ficaram de sair das garagens, sendo 240 da Nova Transportes e 100 da Santa Zita. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Espírito Santo (Sindirodoviários) estima que mais de mil trabalhadores ficaram parados.
- O que reivindicam os motoristas:
- Criticam a utilização de ponto virtual, em que o rodoviário tem que usar o próprio telefone e a internet para marcar o horário de trabalho;
- Alegam assédio moral;
- Questionam o aumento de "linhas cruzadas", com mais linhas diferentes para o motorista atuar. Antes, segundo os rodoviários, o trabalhador ficava no mesmo ônibus e na mesma linha durante todo o expediente de trabalho;
- Dizem que os ônibus sem ar-condicionado estão saindo das garagens sem cobrador.
Linhas cruzadas
Em conversa com a TV Gazeta, o rodoviário Sidnei Aristides Afonso explicou como ocorrem as "linhas cruzadas": "Eu saio da linha 504, de Itacibá a Jacaraípe, retorno, faço intervalo de 1h20, venho da linha de Itacibá para Campo Grande e retorno para a linha de Novo Brasil, a 724. Depois volto para Campo Grande e fecho a escala, em um único dia de trabalho. É muito corre-corre, não dá tempo de tomar café, de ir ao banheiro e a gente acaba colidindo com outros carros e temos que pagar do nosso bolso o prejuízo do terceiro", relatou.
Procurada por A Gazeta, a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb-ES) informou que a reivindicação dos profissionais das empresas é uma questão trabalhista e deve ser tratada junto ao GVBus.
"A Ceturb-ES está acionando as demais empresas do consórcio que atende o Sistema Transcol para garantir o atendimento da população e ressalta que os terminais estão operando normalmente e há ônibus em operação em toda a Grande Vitória. A Companhia irá receber representantes do sindicato, ainda nesta manhã, para acompanhar a reivindicação e tratativas", declarou.
O Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), por sua vez, diz que as empresas Nova Transportes e Santa Zita seguem rigorosamente as regras da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e não reconhecem qualquer dos pontos específicos reivindicados pela categoria. As operadoras esclarecem ainda que a operação já foi restabelecida e as linhas atendidas por elas já voltaram a circular.